quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

QUANDO O PROTESTAR SIGNIFICA APOIAR…

                                                            

Onde se meteu o Papa Francisco?! Os sábios da Antiga Grécia responderiam sem hesitar: o homem meteu-se entre “Cila e Caribdis”, duas divindades mitológicas, personificadas em monstros, rochedos e sorvedouros das embarcações, tal como o nosso “Adamastor” no Cabo das Tormentas, depois transformado em Cabo da Boa Esperança.
Tudo está acontecendo nesta corajosa viagem ao Chile e ao Peru. Aliás, o argentino Bergoglio pisa um chão que é seu, que bem o conhece – a América Latina, um nó de paradoxos -  e, por isso, mediu bem os riscos que corria. Facto insólito e único foi o protesto de uma multidão de mulheres e homens, empunhando cartazes contra o Vaticano, directamente contra o Papa, pela indiferença com que olhava para os escandalosos abusos de menores por parte do clero. Mesmo após o comovente pedido de desculpas em plena cerimónia litúrgica, diante de milhares de participantes, a população não se desmobilizou, pelo contrário redobrou a sua raiva. Facto único entre todas os países que o Papa visitou até hoje!
Mas o mais enigmático e assustador é o seguinte: toda aquela faixa da América Latina foi evangelizada, durante séculos, pelos missionários da Igreja Católica, os espanhóis. E o paradoxo não é menos desconcertante: em todos os outros países, de matriz constitucional não cristã nem católica – muçulmanos, budistas, inclusive ateus confessos - o Papa foi sempre ovacionado. E, pasme-se, é  num território, secularmente católico, que ele  é protestado, invectivado e verbalmente agredido!
Como terá reagido Francisco a estes clamorosos protestos? Mal, dirão uns. Magoado, segundo outros. Pessimamente, comentarão outros ainda, perante os gritos ululantes dos manifestantes, “Ficou tão feio fazer aquilo” . opinarão os ‘piedosos’ beatos.
Desculpar-me-ão, mas hoje estou contracorrente. Eu acho que o Papa  ficou mil vezes agradecido, porque intimamente e externamente reforçado nos seus planos de acção. Justificando: tenho repetidamente afirmado que as transformações na Igreja não podem ser obra do poder hierárquico. As hierarquias não querem ser incomodados nem, muito menos, apeadas dos seus cadeirais de conforto e poder. Por isso que a sua iniciativa inovadora é uma falácia, senão mesmo um perigoso embuste. A evolução das sociedades, para ser perfeita e segura,  tem de partir dos seus próprios constituintes, o povo, a comunidade. Bastas vezes tenho  aqui citado o pensamento de um grande intelectual cristão: “A Igreja não precisa de um líder extraordinário, excepcionalmente iluminado. Isso vai contra o plano de J.Cristo na história”. Para não tirar ao Povo cristão o seu poder de iniciativa, interventivo e eficaz.                     
 Não há sombra de dúvida de que este Papa tem sido um acérrimo fautor de mudança no Vaticano, um autêntico revolucionário nesta área, mormente quanto às estruturas caducas da Cúria Romana. Para uns – os cardeais – ele tem de ser condenado por heresia. Para outros – os verdadeiros obreiros do Evangelho – ele já deveria ter ido mais longe. É neste último registo que se situa Francisco. Ele quer ir muito mais além. Mas com quem conta ele nesta cruzada renovadora? Os cardeais, os bispos, os clérigos? Nem pensar. Ele só pode contar com as bases, o Povo que constitui  a massa e o  fermento da Vida. Sem o apoio das comunidades de base, ele não pode sozinho abrir caminho. Precisa da nossa palavra e da
nossa acção. No último número da revista Philosophie, razão tinha o editor em formular a pergunta: “Porquoi est-il si diffile de changer”?
Da presente nota justificativa, concluo que os protestos da multidão –“Entregue à Justiça os pastores, bispos e padres, abusadores das crianças” – terão desagradado à ala dos velhos cardeais de cruzes de ouro ao peito, mas agradaram fortemente ao Papa Francisco que, no seu íntimo, decerto sentia e quereria dizer, emocionado; “Gritai, gritai mais forte, dai-me estímulo para agir”. Aliás, ele acaba de dizê-lo, agora à noite, na missa para os jovens:  “ O vosso país, o mundo, a Igreja precisa que vocês a interpelem”!
Em jeito de resposta à pergunta da revista citada, a analista Catherine Malabou, após monitorizar as três causas do fenómeno – o hábito, o medo, a dificuldade – aconselha assim o filho e, nele, a todos nós “É preciso perder o medo de partir. E porque somos plásticos, ágeis, nada nos há-de quebrar, saberemos adaptar-nos e estar à altura do momento”.
Para aí o Papa nos convida e nos convoca!

17.Ja.18

Martins Júnior    

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

“DIA DO COMPOSITOR”



Não é escritor o arrumador de palavras nem é compositor o arrumador de notas.Honra e Glória aos verdadeiros compositores. 

De que Olimpo sem corpo arrebataste
O lume vivo que só Prometeu
Aos deuses longínquos  desprendeu?
Ou que fundos e que mares sem fundo
Mergulhaste
Para trazeres algas sargaços e corais
Que transformaste
Em voos rasantes cantantes
De sinfonias imortais?

Sem ti
A onda azul do canto
Toda emudecia
Sem ti
Os troncos da alta penedia
Jamais dariam tábuas sonoras
De violinos bordões violoncelos
Dolentes guitarras mágoas de outrora
Árias de Bach allegros de Mozart
Marchas de Wagner nas ameias dos castelos

Demiurgo e Criador
Maior que o mundo em teu redor
Mas encadeado esquecido
Nas grades do génio
Incompreendido

Escravo jau
De todas as gerações
Mendigo irmão de Verdi e Camões

Mago dos sons ficou escrito
Na partitura da tua lousa fria
Que jamais empalideceu:
“Aqui jaz
Alguém que não morreu”

15.Jan.18
Martins Júnior



sábado, 13 de janeiro de 2018

PSICOLOGIA DAS ELEIÇÕES – DIZ-ME COMO VOTAS E DIR-TE-EI QUEM ÉS!

                                                     

Porque estão na ordem do dia as manifestações massivas da vontade popular, torna-se útil e até necessário olhar com a acutilância possível para as reais motivações que fazem levantar as multidões. É, sem dúvida, um precioso study case, terreno fértil para as áreas da psicologia social. E à qual, por isso, não podemos voltar as costas, sobretudo porque mexem e determinam a arquitectura da vida em sociedade.
         Nesta progressão analítica, verifica-se que é na vertente eleitoral que se desenha a mais fiel radiografia dos povos. Desde aqueles que investem o melhor de si mesmos na descoberta limpa de um modelo de sociedade para todos, até àqueles que, vítimas  da desinformação, sucumbem às mãos de  demagogos de circunstância, sôfregos de interesses pessoais, os quais logo de seguida são contestados, odiados pelos próprios votantes, como aconteceu mais recentemente com as Honduras e com o americano Trump e, de mais longe, com o ditador Hitler e o ‘nosso’ Salazar. Quando o povo descobre o logro em que caiu, desata (tarde demais) em ondas de revolta incontrolável.
         Em termos classistas, os votantes distribuem-se neste tríptico eleitoral: os cidadãos conscientes, bem intencionados, sérios e coerentes na acção. Estes nem sempre são os mais vistosos, nem de riso escancarado e de verbo fácil. A seguir vêm os desinformados, normalmente as populações rurais, que não chegam a inteirar-se do que está em causa na eleição, devido à recusa dos concorrentes (ou de uma das partes) em debater publicamente os programas e as suas reais intenções. Por fim, vêm os calculistas, mais precisamente os parasitas, que não dão um passo sem ver o lucro que obtêm. São os tais que fogem ao esclarecimento, isto é, aos debates, usando como arma de caça os boatos, os cabazes, os cheques e as promessas.
         São assim as eleições, momento extraordinário para conhecer a psicologia das multidões. E se isto acontece nos actos eleitorais gerais, muito mais se verifica nos actos eleitorais internos, dentro do próprio partido, na escolha das respectivas lideranças. É tão saudável e prestigiante ver uma eleição em que os candidatos expõem publicamente as suas ideias, sobre as quais vão pronunciar-se os eleitores. E no final aceitam respeitosamente a vontade esclarecida dos votantes, porque estes foram devidamente informados. Acabámos de ver isso mesmo na eleição de Rui Rio sobre Santana Lopes. Exemplar!
         Ao contrário, quando os responsáveis se furtam ao esclarecimento dos militantes, quando actuam sempre na sombra, quando vão buscar reforços, ou seja, elementos que num passado recente puseram tudo na fossa, até o próprio partido, e fugiram – então é caso para dizer que a derrota é o caminho infalível para todos, uns e outros. Sobretudo, a derrota para o Povo, constituinte da soberania e dos eleitos. Porque é neste ambiente de nítida corrupção que a mediocridade impera. Um Povo dirigido por medíocres, portanto oportunistas, será sempre um Povo sem estatura e sem personalidade civicamente condigna.
             Por hoje, fico-me assim, numa profunda reflexão, porque nesta área estamos todos envolvidos. Para bem ou para mal. Por isso, termino com esta máxima, colhida numa experiência de décadas: “Diz-me como votas e dir-te-ei quem és”. Para evitar equívocos, notem bem: Eu não disse ‘em quem votas’ mas ‘como votas’. Ou ‘porque votas’.

13.Jan.17
Martins Júnior


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

ANO NOVO, NA LARGADA! QUAL A TUA ROTA?

                                              

O navio já partiu. Ainda se ouvem os ecos sonoros das fragatas à distância, restos da ressaca inicial da meia-noite. Já avistamos o pico dos horizontes futuros que nos chamam mais ao largo. Não será mais  a prosa dos dias insossos, mas a pujança da vida que vamos afrontar. Pouco a pouco, o Ano Novo começa a pespontar na silhueta das madrugadas  lampejos de esperança.
Lá longe de nós, a aproximação, ainda que  pela via desportiva, das duas Coreias, a fúria e a desagregação interna do gabinete de Trump (presságio de dias menos sombrios para o mundo), os 1300 refugiados que o Papa Francisco convida a almoçar consigo, enfim, as descobertas científicas no âmbito da medicina – tudo converge e nos convoca para entrar na tripulação do navio que descreve a rota da história presente, a nossa.
Dentro dos nossos territórios, cresce  a onda saudável sobre temas candentes, como o uso da ‘cannabis’ para fins terapêuticos. Saúda-se a frescura dos debates entre duas candidaturas partidárias a nível continental, o mesmo aguardando-se  para idêntico e cabal esclarecimento de todos os socialistas que vão escolher a liderança regional. Debater é altamente terapêutico e promissor. É na agitação das águas que elas se purificam. Ainda a nível diocesano,  o surgimento de casos anómalos, como o do Monte, servirá de mote para definir que tipo de Igreja e que estatuto de ‘ministros sacros’ pretende o povo crente da Madeira.
Serão inúmeras as estrelas a descobrir e a acompanhar neste, ainda caloiro, 2018. Destaco também as livres iniciativas – públicas ou privadas – que se devem propor para as comemorações dos seiscentos anos do Achamento da Madeira. E, por fim, dentro de cada um de nós e em seu redor, há outras descobertas, vibram apelos urgentes que esperam por nós.
Qual a tua estrela, seja a tua bússola. Acrescenta, aqui e agora,  a tua rota, mas que seja coincidente com a meta global que a todos nos faz correr: a felicidade, o bem comum.
  Boa viagem, na largada!

11.Jan.18

Martins Júnior

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A RESSACA – ou – A DEPRESSÃO ‘POST-PARTUM’

      

         Finou-se o Natal e o calendário deu à luz o Ano Novo.Com o primeiro, lá se foram os folguedos das missas do parto, do galo, a consoada do peru e os mascarados e os cantares misturados de carne ‘de vinha d’alhos’. Com o segundo estrebucharam as balonas exclusivas da baía e derreteram-se, fantasiosas, em cataratas de sonhos e hemorragias de luz.
         Falam os manuais da especialidade de casos em que as parturientes, passado algum tempo após darem à luz, caem num labirinto de abandono e masoquismo autista, a que chamam ‘depressão post-partum’. Noutros registos, os que se seguem a situações de excessos, a esse estado de prostração o linguajar comum dá-lhe outra conotação: a ‘ressaca’.  Não se sabe – nem registam as Escrituras - se a jovem donzela de Nazaré, também parturiente aos 16/17 anos, terá pago tal tributo à maternidade. Mas o que já parece verosímil e até evidente nas peles descaídas dos transeuntes é a ressaca do Natal e Ano Novo. Basta olhar para o semblante abúlico daqueles que na euforia da ‘noite mais longa’ espumavam cristalinos votos de Feliz Ano Novo, agora já nada têm para dizer, falta-lhes assunto e, quando se cruzam na rua, esboçam apenas um cheiro a bolas de naftalina guardadas no baú.
         Paradoxo brutal! Há oito dias, todo o mundo cabia numa taça de champagne e todas as estrelas brilhavam nas doze passas da nossa mão aberta. Mas depois… Depois foi o ‘cair na real’, o prosaico trabalho (ou a falta dele) de cada manhã, as carências diárias, as maleitas, os centros de saúde, os hospitais, os ‘sem-abrigo’ pelas ruas, os migrantes angustiados. E, ainda, as lides domésticas, os filhos, a corrida às aulas, as convergentes divergências dentro das quatro paredes da casa. Tudo junto: o novo, afinal, é velho e a fumaça de há dois minutos transformou-se na manta de retalhos “déjá vue’ do ano anterior.
         É assim a ressaca dos que foram levados pelo narcótico rasteiro das comemorações, onde o álcool é rei e a anestesia  rainha. Mas para aqueles que mergulharam na essência do Natal, o apelo redivivo dos caminhos por desbravar, a epopeia sempre inacabada de um mundo em construção – para esses não há amianto depressivo no corpo e a ressaca é uma onda gigante que lhes transporta a alma  para novos voos.
         É aqui que queremos ficar. Porque não estamos deprimidos nem ressacados com a prosa dos dias de Janeiro/18. Pelo contrário, vamos fazer da prosa um poema quotidiano, cujo mote será o mesmo que fizemos há um ano, em Janeiro de 2017: “Não perguntes o que é que o Ano Novo poderá fazer por ti. Pergunta o que é que tu podes fazer pelo Ano Novo”. Para que ele seja sempre novo.
Porque Ano Novo é sempre e quando  nós – tu e eu – quisermos!

         09.Jan.18

         Martins Júnior     

domingo, 7 de janeiro de 2018

“THE KING AND THE QUEEN TOGETHER IN THE GREAT JOURNEY OF NO RETURN”


Aconteceu em 5 e 6 de Janeiro e teve por cenário a evocação das embaixadas reais lá dos lados do Oriente.
         Fosse o Príncipe de Gales  e a diva Rainha  - e logo se lhes rendiam   os holofotes-satélites, as ondas gravitacionais e as rotativas da “Última Hora” para dar a grande notícia: “Enquanto a Rainha fazia a última viagem sem retorno, o Rei dava o último suspiro no seu leito da morte”.
         Mas não foram os monarcas da ‘Velha Albion’. Nem os protagonistas das emotivas construções romanescas de Roberto  Machim e Ana d'Arfet. Nem os arroubos clangorosos de “Tristão e Isolda”, imortalizados pelo génio de Richard Wagner. Não. O acontecimento resume-se em duas palavras, para nós ricas de interioridade, mas vulgares, talvez inúteis, para o vasto mundo: “Morreram marido e mulher. Ambos com 92 anos. Ela sepultou-se no dia 5, véspera dos “Reis” e ele no dia 6”.
         Devo dizer que, em 56 anos de exercício sacerdotal, nunca tal me acontecera. E enquanto soava a finados o carrilhão da torre sineira e a carrinha (de todos nós) deslizava rumo ao ‘Campo Santo’ final, ia eu rememorando o “Noivado do Sepulcro” de Soares de Passos…
         Fossem quais as causas e as circunstâncias, não é possível olhar com fria indiferença para este quadro dramático e, simultaneamente, galvanizador. Gente rural, corpos quase centenares, curvados sobre a terra para dela surgir o pão. Mãos calejadas, retalhadas e dentro delas segurando um coração sempre novo de amados e amantes, ao ponto de ‘marcarem partida’ na mesma semana, a Semana dos ‘Reis’.
Gente rural, Gente Real, que fabrica o pão e a vida, de que todos nós participamos e sem os quais fenece, inglória. a nossa própria história individual e colectiva. Gente Real, cujos filhos os mantiveram sempre na sua casa singela, o seu palácio ideal. Gente Real, ainda, porque ambos cumpriram ampla e generosamente, o seu mandato terreal e transportam consigo o ceptro da vitória!
Requeiro, neste momento, a permissão de quem me lê para partilhar a emoção que envolveu esta entrada triunfal dos dois nonagenários na misteriosa alameda do além-túmulo, munidos do passaporte que lhes dá direito a ocupar um trono real, esteja ele onde estiver. E ele está aqui. Connosco. Por isso posso proclamar na oitava dos ‘Reis’ e no mais alto monte o pregão monumental, aposto ao épico poema de Dante Alighieri:
“REI E RAINHA, LADO A LADO E DE MÃOS DADAS, NA GRANDE VIAGEM SEM RETORNO! HALLELUIAH”!

07.Ja.18

Martins Júnior

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

PRÍNCIPES E PRINCESAS NO CANTAR DOS REIS

             

           Foi a sua vez. Também têm o seu direito.
Trazidas pela mão das professores, professoras e respectivas auxiliares, foi um enlevo de alma ver e ouvir um grupo de alunos que frequentam a Escola da Ribeira  Seca, meninos e meninas, desde a pré até ao quarto ano, unidas no mesmo feixe de alegria matinal, cantar ‘Os Reis, do cinco para o dia seis’ no adro e igreja. É ali também que se desenvolve a sua personalidade.
Vozes brancas, afinadas e bem ritmadas com a percussão dos executantes, hoje pequenos, amanhã gigantes.
Motivações profundas ditaram hoje este singelo SENSO&CONSENSO. Em jeito de agradecimento, os nossos "príncipes e princesas" levaram consigo uma prenda em verso que passo a reproduzir:

Os príncipes e princesas
Da nossa escola adorada
Vieram cantar ‘Os Reis’
À nossa igreja sagrada

O nosso muito obrigado
Pais Mestres e Ajudantes
Tenham um FELIZ ANO
E sejam bons estudantes



O convívio que tiveram a seguir culminou uma tarde real:
 Real… porque é dos ‘Reis’!
Real… porque é genuína e natural!

05.Jan.18
Martins Júnior