quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

TODOS OS “20 FEVEREIRO” CONTRA A BÍBLIA?!...

                                                           

Não é o de 2010 que trago para hoje. Já tudo ou quase tudo foi contado, lamentado, chorado, estudado, contestado, reclamado até à exaustão. É de todos os  “20’s Fevereiro” que aconteceram e voltarão a acontecer no Planeta Terra, depois do diluvio universal, relatado por Moisés no seu  Génesis,cap. 9º.  É de todos eles ( vencidos e vincendos) que me ocupo neste fim de dia.
Faço-o por impulso necessário e incontido mesmo, desde domingo passado, após a leitura do referido texto do grande líder do povo hebreu. Foi lido e escutado em todos os continentes, como palavra sagrada, inscrita naquele que é “O LIVRO” por excelência. Não sei se todos os ouvintes e, mais de perto nós, os madeirenses, prestámos atenção ao juramento solene que o Deus Iahveh lavrou urbi et orbi, na pessoa do Repovoador da Humanidade, Noé, os seus familiares, plantas e animais que, dentro da arca-barca, escaparam à hecatombe universal:  “Eu estabeleço uma aliança convosco e nunca mais será ceifada uma só vida pelas água de um diluvio”. Para rubricar, de forma peremptória e visível,  o soberano contrato-promessa, teve o Grande Arquitecto o cuidado de deixar a sua impressão digital  na imensa abóbada celeste, o arco-iris. “Todas as vezes que o meu arco-iris estiver nas nuvens, Eu lembrar-me-ei da aliança eterna que fiz entre Mim e toda a forma de vida que há sobre a terra”.
Nem de propósito.
Precisamente na semana em que emergem à superfície e à profundidade do nosso subconsciente os 42/43 cadáveres arrastados pelas águas em cachão, é manifesto o embaraço de compaginar a tragédia com a narrativa bíblica. E perante as repetidas aluviões na Madeira, os devastadores ‘tsunamis’ e os mortíferos cataclismos do Planeta, o embaraço desemboca em descrédito frontal face à suposta sacralidade d”O LIVRO”.
José Saramago já prevenira que o melhor caminho para a perda da fé era a leitura da Bíblia. Expurgados os exageros e as conclusões apressadas, a contradição merece esclarecimentos sólidos, fundamentados numa hermenêutica científica, com recurso à investigação histórica, a mais segura possível. Nesta área, a falta de literacia leva aos labirintos inextrincáveis do obscurantismo e, daí, ao fanatismo judaico-islâmico, que não ficam longe dos tenebrosos mitos medievais, ainda hoje embutidos em certos rituais ditos-cristãos.
Mercê de sucessivos investigadores oriundos da Reforma Luterana, bem como do esforço corajoso de biblistas católicos, é ponto assente que “O LIVRO”, sobretudo o Antigo Testamento, reproduz a história de um povo – o hebreu – que se auto-denominava  líder escolhido pela Divindade de entre  todos os povos, matriz única da civilização e protótipo do Homem Universal. De tal forma ganhou estatuto a supremacia elitista do judaísmo que os seus escribas, cronistas, moralistas, liturgistas e até profetas passaram para “O LIVRO”  os primórdios da ‘sua’ história, os regimes político-teocráticos, as dinastias, as práxis sociais e religiosas, os escândalos, os conflitos armados com os povos fronteiriços, as catástrofes reais ou imaginárias. É frequente ouvir-se dizer que o povo judeu orgulha-se de ter impingido a todo o mundo o estudo da sua história pátria.
É neste quadro interpretativo que deve ler-se o supra-citado texto de Moisés. Relata pura e simplesmente a mensagem do ânimo e segurança de que tanto precisavam os sobreviventes do dilúvio então ocorrido. A voragem terrífica das águas diluvianas deixara-os em sobressalto. Alguém tinha de garantir-lhes paz e conforto, fosse como fosse. Prova é o recurso empírico à figura do arco-íris - tão ingénuo quanto poético - pintado por Deus nas nuvens, como penhor da aliança seguradora entre Iahveh e os filhos de Noé.
Paralelamente ao efémero, consignado no histórico judaico. “O LIVRO” condensa mensagens eternas - de ontem, de hoje e de sempre – as quais, sobretudo, no Novo Testamento, traçam as pistas libertadoras da Boa Nova, a Notícia da verdadeira espiritualidade que conjuga o humano e o divino.
Decisivo e imprescindível é saber distinguir, nos textos bíblicos, o efémero e o eterno, definir  o corpo diegético da narrativa – portanto, circunscrito no tempo e no espaço – e, dentro dela,  detectar a intemporalidade infinita da sua mensagem.   
  Quanto aos movimentos cíclicos do “Planeta Azul”  e aos negros cataclismos que nele sempre se hão-de repetir, compete ao homem de hoje acautelar-se, construindo o arco-íris da ciência e da prevenção.

21.Fev.18

Martins Júnior

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

ANIVERSÁRIO SEM DATA – ITINERÁRIO SEM TERMO

                                    A quem, igual a si mesmo!   


Não pergunto
O chão onde nasceste
Fosse o mar sem fundo
Fosse o mais alto evereste

Basta olhar
E ver-te
Que é sempre verde o teu canto
Sempre azul o planeta
Que navegas
Sempre mais clara e longe a meta
Que demandas

Venham os ventos de outras bandas
De todas as que houver e outras mais
Tu içarás as velas pandas

E amarrados ao convés
Levar-te-ão os vendavais
À longínqua praia que tu és
Serena ardente secreta imensa

 Porque não tem data o berço de nascença
Também não tem ocaso o teu clarão
Esconjurando fantasmas do hostil abismo escuro

Raiz de antanho
Pomo de agora
Estirpe do futuro


        19.Fev.18

        Martins Júnior  

sábado, 17 de fevereiro de 2018

O TRIPÉ DESTE FIM-DE-SEMANA


Os olhos de todas as câmaras, as veias de todos os tablóides, as bocas de todas as rádios, neste fim-de-semana em Portugal, assentam à uma em cima do mesmo tripé: POLÍTICA, FUTEBOL e RELIGIÃO.
Só queria descobrir – e alguém me ajude – quem sustenta o tripé, quem o comanda e o deslumbra.
Porque na POLÍTICA, não me convençam que o que está em causa é apenas o sonho puro de escolher um líder salvador do povo, regenerador da pátria.
No FUTEBOL, não é só a orgia de poder do comandante-em-chefe das caneleiras verde-brancas (ou brancas-rubras-azuis-e- brancas) que fará mover e correr o hebdomadário tripé.
E na RELIGIÃO (leia-se Igreja) o que ensarilha a cauda do clementíssimo  manto cardinalício e diverte o vulgo não é a cama penitencial dos castos recasados.
Descontadas as boas intenções de uma minoria coerente e consequente (esta quase sempre abafada e derrotada) o que aguenta o tripé tem nome e sigla: $=cifrão.
Malfadado capitalismo! Porque o dinheiro tem carnaval todo o ano, todo o dia, toda a hora: enguia de mil máscaras que se enrola visceralmente nas entranhas de tudo quanto mexe. E por ter caras mil é sempre benvindo e carinhosamente  adoptado.
Vou aproveitar o fim-de-semana para descobrir mais de perto o chão onde assenta o sofisticado tripé que domina o mundo.

         17.Fev.18

         Martins Júnior

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A PRIMEIRA E MAIOR VITÓRIA DA AUTONOMIA POPULAR MADEIRENSE

Soube-se há menos de uma hora que houve um filme proibido na Madeira. Soube-se também que  a entrevista ao seu realizador fora cortada pela direcção do órgão publicitário do governo regional, embora sob a capa de diário da diocese – o então Jornal da Madeira. Corria o ano de 1978. Leonel de Brito acabara de rodar na ilha o documentário intitulado “Colonia e Vilões”. Desde então, alguém escondeu-o e enterrou-o, antes ainda de ver a luz do dia na terra que lhe deu corpo. Foram precisos quarenta anos para que  a Madeira pudesse ver em plena liberdade o mais completo Dicionário Cinematográfico sobre a sua História de seiscentos anos. Aconteceu hoje no Teatro Municipal Baltazar Dias.
Com efeito, “Colonia e Vilões”, não obstante focalizado na grande luta dos caseiros pela emancipação das suas terras das mãos dos senhorios, desdobra diante do espectador o vasto painel da evolução sócio-político-cultural da ilha. Desde o Achamento, povoamento, divisão territorial e administrativa, desenvolvimento agrícola e económico, com maior incidência nas culturas da cana sacarina e do vinho, o esclavagismo, o obscurantismo, a religião, a libertação pós-25 de Abril, manietada pelo concubinato igreja-governo, enfim, ver “Colonia e Vilões” é guardar em disco rígido a síntese enciclopédica do terro que habitamos.
Mais do que isso. Este precioso documentário condensa o maior grito de revolta e de conquista de sucessivas gerações que durante séculos foram estranguladas pelo contrato de colonia – esse “leonino contrato”, como alguém lhe chamou – em que o camponês, a sua família, mulher e filhos, o seu pobre casebre se consubstanciavam com a terra-escrava do senhorio. Pode bem afiançar-se que a extinção do regime da colonia foi a maior afirmação da autonomia popular do madeirense, visto que aí foi ele, todo inteiro – corpo, mentalidade, família, ambiente – deu o ‘xeque-mate’ à prepotência fascista e totalitária que trazia amarrado o povo português. Mais importante foi esta vitória global que as autonomias administrativas reivindicadas nos gabinetes oficiais que só serviam os seus prestidigitadores, sucedâneos herdeiros dos antigos ditadores, como aconteceu aqui na Madeira. Na luta dos caseiros ilhéus  foram eles os protagonistas, primeiro vencidos e depois vencedores, porque o Decreto Legislativo Regional nº 13/77/M, de 18 de Outubro (Extinção do regime de Colonia)  só se tornou possível pela força porfiada e justa diante das instâncias superiores até chegar ao Parlamento Regional.
O povo viu o resultado da sua luta. Por isso, cantava e sentia que “o Povo unido jamais será vencido”. O campesinato descobriu que não era mais o “vilão”, “trapo-de-corsa” do senhorio, mas alguém que tinha o poder de ordenar e obrigar os deputados a escrever leis justas.
Hoje, no Teatro Municipal, tudo isto perpassou diante dos nossos olhos, complementado pelo debate e troca de ideias que se lhe seguiram. Notícia feliz foi a de sabermos que o filme será apresentado em DVD na próxima Feira do Livro do Funchal pelo próprio Leonel de Brito já que, desta vez, imprevistos problemas de saúde não lho permitiram.
As melhores felicitações aos promotores de tão oportuna iniciativa do Centro de Estudos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em conexão com a sua congénere na Madeira.
E fica-nos no ouvido “uma frase batida” (como diria SG gigante) que os caseiros criaram e passaram de boca em boca: “A terra é de Deus e o fruto é de quem trabalha”.

15.Fev.18

Martins Júnior

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CARNAVAIS HÁ MUITOS. O NOSSO TAMBÉM!

                                                 


Pelo sonho é que vamos - disse ele, o jovem sonhador Sebastião da Gama. E pelo carnaval também – dizemos nós durante estes fugazes três dias de saudável catarse.
Porque carnavais há muitos. Como os chapéus.   Desejável até seria que fossem tantos quantos as cabeças, os troncos e membros de cada folião que habita dentro de cada um de nós, marchantes-à-força nos ‘sambódromos’ da vida. Precisamente por isso, os corsos carnavalescos não deveriam obedecer a figurinos estandardizados e a estereótipos importados. A originalidade criativa e a identificação com a idiossincrasia popular de cada lugar é que têm prioridade sobre qualquer outra imitação, por mais envernizada e emplumada que se apresente.


Certos desfiles dão-nos a impressão de que os protagonistas são os espectadores e não os actores. Tudo é feito para fora (por isso se lhes dá o nome de forasteiros) em vez de assumir-se como uma emanação telúrica de um povo, da sua capacidade estético-satírica. Aprecio imenso os cortejos de cada terra, os endémicos, ricos dessa produtividade singular, diversa de todas as outras. Costuma dizer-se  que em 1500 colonizámos o Brasil; agora é o Brasil que nos coloniza a todos com novelas. E com  carnavais, acrescento eu. Até nas próprias músicas, tiradas à fotocopiadora. Enfim, cada um “abana o capacete” como quer. É a liberdade que se aparenta, mesmo que se a não tenha.  
Pela nossa parte, CCCS-RS, Centro Cívico-Cultural e Social da Ribeira Seca, apresentámos música e letra originais, (tentando um ‘mix’ entre os ritmos-samba e a vivência local Machico/Madeira) com uma dedicatória muito nossa: Homenagem ao grande artista, cantautor MAX, no 1º centenário do seu nascimento que ora se festeja. Juntou-se o refrão à voz do próprio MAX, Rei do Carnaval, interpretado cenicamente na plataforma rolante. Jovens e adultos deram corpo à ideia que marcou todo o cortejo, pelo humor, frescura e simplicidade.


Aqui ficam alguns excertos mais representativos, com agradecimentos à Câmara Municipal, promotora do evento, e aos vários colaboradores particulares. Domingo próximo, o CCCS-RS estará no Santo da Serra, assinalando desde logo a gentileza da Casa do Povo local.  

13.Fev.18
Martins Júnior

   

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O MAIS ESPLENDOROSO DE TODOS OS CORTEJOS


Que se encantem os mortais  ou que se danem, tanto faz, com as efémeras lantejoulas pingadas das plumas todas de todos os sambódromos,
Que se atordoem ou se estalem, tanto faz,  com as peles retesadas dos tambores em marcha universal,
E mesmo que rompam  os céus europeus ou mordam os buracos de ozono, tanto faz, os troféus do futsal, que merecem o nosso aplauso,
Prefiro ficar-me, entre absorto e visionário, ao ver o mesmo lençol materno unir dois irmãos desavindos há mais de meio século. Nada mais decisivo brilhou agora no planeta, nada mais empolgante que ver desfilar nos Jogos Olímpicos de Inverno, em PyeongChong,  as duas Coreias – a do Norte e a do Sul – sob a mesma bandeira. A grandeza do gesto cresce cada vez mais na proporção inversa dos resultados finais, sejam eles quais forem.  Porque o pódio da vitória já foi alcançado:  a convergência em pacífica ogiva de dois braços do mesmo corpo, separados até agora pelas mortíferas ogivas nucleares.
Enquanto na Europa cristã e ocidental, matriz de todas as civilizações do mundo, o desporto resvala para conflitos fratricidas, o ‘milagre’ pode acontecer nas remotas paragens asiáticas: o mesmo desporto  é  bandeira de paz entre duas, entre muitas guerras. Tão límpida como as brancas pistas de gelo foi esta alvorada em PyeongChong que até serviu para nela se revelar a mancha negra do representante de Trump.
  Acreditei no aperto de mão de Barack Obama a Raul de Castro, aquando do funeral de Mandela, no estádio de Soccer City, Joanesburgo. Como acreditei no passo mútuo em frente, o de Juan Manuel Santos  e o do comandante “Timochenko” das FARC, para a paz na Colômbia.
E agora acredito que o gelo das pistas de PyeongChang  será o início do degelo de ódios antigos – ódios gémeos – que, cedo ou tarde, tornar-se-ão  sol olímpico da Paz sobre a Terra. O que os sumptuosos salões dos Congressos Internacionais não fizeram – fá-lo-ão  as paisagens de neve das Coreias Unidas.

11.Fev.18
Martins Júnior

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O EMINENTÍSSIMO E CLEMENTÍSSIMO CARNAVAL DO CARDEAL

                                                               

Ninguém levou a mal o Cardeal. Ele também direito ao seu Carnaval. E é assim:
Um homem e uma mulher – um caso exemplar de casal católico romano -  acordam de manhã, juntos. Vão à missa, juntos. Trocam dois beijinhos à porta da igreja. Almoçam, juntos. Preparam o jantar, juntos. E juntos ceiam um chá de frutos vermelhos, à luz das velas  onde fumegam cios de amor romântico. Mas à noite, encomendam-se às almas e, de repente, lá vem o fantasma das trevas: “Amanhã, vamos comungar, amor. E não podemos fazer amor, juntos.  Somos mais que frade e freira, somos dois irmãos. Chama-se o Cardeal que, sendo clementíssimo, vai comprovar a nossa “abstinência”. E lá vem o homem, de cinta vermelha e  mitra aureolada. E lá ficou a noite inteira, episcopus vigilante, entre marido e mulher recasados, como sentinela alerta e de báculo em riste”.  No outro dia, manhã cedo, lá entraram no portão da igreja, anjo-macho e anjo-fêmea, abrindo as bocas abstinentes à santa hóstia. O Cardeal sorria, como que penetrado do gozo transbordante de uma terça de carnaval.
E assim se fez a postura, o rescrito ou o decreto do Soberano-mór da religião portuguesa. “Os recasados praticarão a continência sexual, sob pena de não poderem tomar a hóstia.”
Ninguém levou a mal – por ser carnaval. Como tal, também a mal não levarão o que, sobre o caso,  direi qual.
É assim a ‘nossa’ Igreja. Nossa, talvez não tanto, mas a dele, Cardeal. Como enguia movediça, fura e perfura tudo até ao tutano. E bota palavra e censura e condena. Sem sequer dar pelo ridículo em que se enreda. Vem de longe o nariz totalitário de pôr carimbo em tudo. Até nos mais íntimos recônditos da sensibilidade alheia. Os teólogos vão ‘virando’ sexólogos e os sexólogos vão ‘virando’ teólogos.
Jamais esquecerei aquela resposta de um civil, emigrante industrial em Moçambique, no ano de 1968, quando entre civis e militares se discutia a encíclica Humanae Vitae  do Papa Paulo VI, a propósito da condenação uso do contraceptivo: “Ó capelão – interpelava-me o homem – você que é um jovem, diga-me o que é que o Papa ou a Igreja têm que se meter na alcova do casal”?
Arrasou-me. Mas fiquei-lhe intimamente grato pela lição que me deu naquele momento e que me serviu de guião até hoje. A educação sexual produzida nos seminários tem sido de uma morbidez insanável, diabolizando a mulher, castrando jovens, criando labirintos de escrúpulos que depois desembocam em degradantes escândalos. E não sabe mais  sair deste “nó de víboras” (cito François Mauriac) que muitos clérigos trazem no seu subconsciente.
Melhor seria o nosso Clementíssimo Prelado ter-nos poupado a este naco de carnavalinho de beco. Sobretudo, vindo de quem vem. Outra emoção positiva e sublimada teria o portuguesíssimo Cardeal Gonzaga, da Ceia dos Cardeais, do nosso Júlio Dantas, quando exclamava diante dos seus  dois colegas: “Oh, como é diferente o amor em Portugal”.
  Mas é carnaval.  Não só “o de três dias”, mas o do resto do ano e o de certas encenações, ditas solenes, que nem demos por isso. Volto a abrir parênteses para dar a palavra a um amigo (já não está cá) que explicava a um outro, estrangeiro de visita à Madeira, o significado de uma grande Procissão, que na altura ainda passava em frente do antigo Banco Madeira (hoje, o Santander), com autoridades civis, militares, pompa e circunstância e fechava com Bispo da Diocese, faustosa e exoticamente engalanado.  O estrangeiro, julgando que se tratava de um corso alusivo, apontou para o prelado e, como quem faz uma descoberta,  exclama entusiasticamente: Oh, the King of Carnival!
         Recomenda-se a quem de direito e de responsabilidade o favor de não fazer cenas de carnaval, porque em vez de saúde e alegria só dão doença e tristeza.

         09.Fev.18
         Martins Júnior