sexta-feira, 27 de março de 2015

PODEROSO DIA 29 DE MARÇO: O POVO ARMADO SAI À RUA!

Os dados estão lançados: depois de amanhã, 29 de Março, é um dia poderosíssimo  e, oxalá, o Dia D para a Madeira e Porto Santo. Está todo o povo em parada, vigilante, à espera do toque de clarim para avançar. O campo de guerra não chega a dois metros quadrados. A arma é uma esferográfica e as munições um papelinho silencioso e interpelante diante dos nossos lhos: o boletim de voto.
         Alguém duvidará da força desta arma e do peso da cruzinha desenhada no quadradinho?...São mais fortes que um batalhão de artilharia,  mais estremecedores que um furacão. Porque um quartel armado não pode, em regime democrático, destituir um presidente eleito, nem um tsunami pode retirar a legitimidade de um governo ou de uma autarquia. Mas o voto pode e faz. A atitude expectante e civilizada de cada votante na fila dos eleitores vale mais que todas as manifestações públicas diante da Assembleia da República ou da Quinta Vigia.  Quantas vozes, arruadas, tentativas de assalto se têm feito às instituições governativas, mas os seus titulares lá ficam bem sentados e guardados, talvez rindo-se dos manifestantes. Mas na mesa de voto, eles tremem como varas verdes e são postos na rua, sem ruído nem escaramuças. Nem é preciso chamar a polícia de choque. Eles saem humilhados e condenados …só com uma cruzinha bem desenhada no recôndito de uma câmara de voto.
         Foi o que sucedeu em 29 de Setembro de 2013: Quantos e quantos de nós estavam revoltados com a arrogância camaleónica das Câmaras da Madeira, todas da mesma cor e do mesmo dono. Mas, num instante, silenciosamente, sete Câmaras mudaram. Faço aqui um parêntesis para rejeitar as repugnantes afirmações de um candidato (que pede maioria absoluta) ao acusar de inacção as câmaras que mudaram de mãos. Nunca pensei que chegasse a tanta baixeza, ele que também foi presidente no Funchal (e eu em Machico) que foi vítima também do aperto da Quinta Vigia e que deixou 100 milhões de euros para a actual Câmara pagar! Cuidado: é o pré-aviso de que fará igual ou pior que o ditador da Vigia.
         Após esta breve deriva, insisto que domingo próximo é dia da plena igualdade: o voto do pobre vale tanto como o do milionário dos offshore; o voto do sem-abrigo vale o mesmo que o do inquilino do palácio de Belém, Cavaco Silva; até o voto do recluso vale tanto como o do juiz que o sentenciou. Ninguém se julgue menos importante que os senhores maiorais. 
        Domingo é o dia de perder o medo., é o dia em que o Povo está no pódio e os senhores futuros governantes estão no chão a pedir-lhe esmola.
         Que ninguém enjeite esta tão alta categoria de ser juiz desta Região. Ganhe quem ganhar, o povo tem de ensinar o ganhador que não pode ser capataz absoluto. Atenção: a herança hegemónica da maioria absoluta do governo madeirense não poderá produzir outros frutos  senão os mesmos de há 40 anos: arrogância, sadismo  e surdez  aos que os puseram no palanque.
         O Povo tem de dar educação democrática aos governantes. Isso só se consegue sem maiorias absolutas. Ainda bem que há muito por escolher. E depois, pensemos que quatro anos passam-se depressa. No fim, se não der certo, muda-se de caminho.
         Madeirenses e Potossantenses: que nenhum de nós perca a chave do poder. Domingo, ela está nas nossas mãos. O Voto é a nossa Arma!

27.Mar.2015
Martins Junior

quarta-feira, 25 de março de 2015

QUAL ESTABILIDADE: DE CEMITÉRIO OU DE DITADURA?

Ao aproximar-se um grande dia, o 29  de Março, tem-me batido aos olhos e aos ouvidos um rap-rap tão insistente quanto indigesto à consciência de muitos com quem tenho trocado impressões sobre o mesmo tema: ”Maioria Absoluta, Maioria Absoluta. Queremo-la para assegurar paz e estabilidade”.
         Irritante esta lengalenga, viesse de onde viesse, mas sobretudo quando vem daqueles que comeram, beberam, banquetearam-se à mesa dessa “pseudo-estabilidade”, adulando o mordomo-mór e que, só no fim, quando o astuto mordomo se tornou velho e condenado a sair da távola redonda, é que se lembraram de “cuspir no prato em que comeram” (assim se lamentava o velho) e, depois, atirar-lhe os pratos e talheres à cara. Para quê?...Imaginem, para fazer exactamente o mesmo  que fez durante 40 anos e contra o qual, agora, se revoltam, nem querem que “ele” apareça. Mas, porque  “ele” é o mesmo, travestido embora com visual recauchutado, eis que lhe querem seguir as pegadas e clamam, aos brados como o outro, maioria absoluta para garantir estabilidade.
            Já me referi a este peditório em 17 e 19 de Março, mas agora volto a questionar-me sobre o conceito de estabilidade. E há, pelo menos, dois: a estabilidade mórbida como a paz dos cemitérios, onde tudo está bem, tudo se está dissolvendo em pó e ninguém levanta a voz. É caso para perguntar se os ditos pretendentes à maioria absoluta querem transformar a “Quinta Vigia” numa qualquer “Quinta dos Calados”? Seria recuar aos anos 50 do século passado, onde ali funcionava o Cemitério das Angústias”.
         Mas há outro conceito: a estabilidade férrea dos regimes totalitários, o de Salazar, de Hitler, o de Mussolini e outros que tais, o do velho mordomo, agora de saída forçada. Esta pseudo-estabilidade é bem pior que a primeira: é que nos cemitérios os encarcerados não reagem nem falam porque não têm força nem voz. Ao passo que, na segunda, os  seus constituintes, agora votantes, têm voz, mas o ditador amordaça-os; têm braços e pernas, mas o mordomo manda os capangas amarrá-los, de pés e mãos.
         Analisemos casos concretos: a estabilidade das setas espetadas para o céu foi a que depenou e espetou o povo madeirense com impostos mais pesados que no continente,  foi o mesmo que descapitalizou as Câmaras Municipais da Região, através de um contrato leonino, falaciosamente denominado Protocolo de Reequilíbrio Financeiro. Onde estavam os que agora bradam por estabilidade? Comendo e bebendo à mesa da “Quinta dos Calados”, felizes e caladinhos. E onde estavam estes mendigos da maioria absoluta quando o ditador, espumando raiva, porque derrotado nas urnas, devorava os ecrãs televisivos, vociferando como um louco: “Pra Machico nem um tostão”?! Até os próprios deputados eleitos por Machico, renegando a sua “pátria” e os seus conterrâneos, alambazavam-se de espasmo perante  o resfolgar paranóico do chefe. E onde estavam esses advogados da estabilidade quando o déspota fez sangue entre aqueles que, do mesmo partido, foram expulsos, saneados do seu posto de trabalho, só porque discordaram do poderoso absoluto? Cobardes, batendo palmas e beijando o pé do dominador, com medo que ele se voltasse para o mísero bajulador.
         Devo dizer que fiquei abismado quando o pretendente ao trono invectivou as Câmaras extra-regime absolutista vigente por não fazerem obras, sabendo a asfixia financeira a que estão sujeitas e, sobretudo, deixando ele mesmo uma dívida sua de 100 milhões de euros para os outros pagarem. 
Nesta altura, todo e qualquer partido que seja eleito tem de fazer uma cura anti-absolutista. Num país civilizado os cidadãos sabem conviver com a democracia, ou seja, com a alternativa ou, pelo menos, com a alternância do poder. Absolutismos hereditários (é o que estes querem) só em regimes afro-asiáticos com um régulo da mesma família ou um feiticeiro da mesma tribo. Sejamos civilizados. Ensinemos os nossos governantes a saberem ouvir-se uns aos outros, porque, lá diz o adágio, da discussão nasce a luz. E com toda a razão, como demonstra a descoberta da energia eléctrica produzida pela convergência do positivo e negativo. Quando nos habituamos ao debate divergente, a divisão transforma-se em multiplicação de iniciativas e sucessos.
         Por tudo isto, unamo-nos no combate às Maiorias Absolutas, para instaurarmos um regime onde todos possam viver e respirar, tal como os nossos antepassados lutaram pelo regime liberal contra o absolutismo miguelista. Qualquer semelhança é pura coincidência. Se bem que, no caso presente, a coincidência faz-se realidade. Seja como for, o emergir de novas representações parlamentares virá refrear o impulso açambarcador das maiorias. Será uma boa notícia.

25.Mar.2015
Martins Júnior


segunda-feira, 23 de março de 2015

A HOMENAGEM A UM BENEMÉRITO DA HUMANIDADE


         Tal como sucede com os densímetros avaliadores dos homens (que não se medem aos palmos) assim também acontece com as homenagens, cuja densidade não se afere pela barafunda publicitária, quantas vezes falaciosa e subserviente ao poder e ao dinheiro. Valem as homenagens pela frescura transparente das emoções, fruto da lealdade eloquente da sensibilidade e da lógica, mais que as girândolas do palavrório  rotineiro.
         A exaltação do Pe. Mário Tavares Figueira, ontem, na Ribeira Seca --- para comemorar a terceira década vitoriosa contra as arremetidas tribais do poder religioso e do poder político em 1985 --- foi um perfeito momento do verdadeiro preito de homenagem prestada a alguém: Longe dos olhares turvos da imprensa local e das embaciadas lentes das câmaras televisivas, desenrolou-se um vasto cenário de intimismo, grandeza e profundeza de conceitos e sensações, digno de uma paisagem multicolor, quase mística.
         No templo da Ribeira Seca, os amigos sacerdotes  Pe. José Luís Rodrigues, o Prof. Dr. Pe. Anselmo Borges e eu próprio. À roda da mesa comum da ara sagrada, a comunidade local e os muitos amigos, uns daqui da ilha e outros, de mais longe, associaram-se a este júbilo colectivo, quer presencialmente quer através das muitas mensagens que ali foram lidas. Gente do povo, professores, intelectuais, políticos, poetas e até os titulares autárquicos, presidente da Câmara Municipal e presidente da Junta de Freguesia, a que se juntaram o genuíno canto popular religioso e as  primorosas vozes do Grupo Coral de Machico, todos confluíram no mesmo efusivo abraço ao Pe. Tavares. Dado o tempo chuvoso que caía sobre o adro, os brindes e o partir do bolo fizeram-se mesmo dentro do templo, prolongando o espírito da comunhão eucarística.
         Embora já lhe tenha dedicado a minha saudação no acróstico editado no anterior “dia ímpar”, aproveito o ensejo para, entre a vasta enciclopédia que é a trajectória do Pe. Tavares, destacar três momentos históricos que marcam a vida corajosa deste homem:
         1º - Aquando da ocupação da igreja da Ribeira Seca, enquanto o bispo Teodoro invocava o código canónico para dizer que o padre tem de estar com o bispo para poder estar com Cristo, pois o Pe. Tavares escreveu-lhe uma famosa carta aberta onde citava um outro normativo, este evangélico e universal: “Para que o padre esteja com o bispo, é necessário primeiro que o bispo esteja com Cristo”, significando que aquela ocupação  era a demonstração de que a atitude episcopal estava  do avesso do exemplo de Cristo.
         2º - Para que o povo tomasse consciência do seu poder comunitário, fundou na sua paróquia o cooperativismo que, como na cerimónia muito bem disse o Pe. Dr. Anselmo Borges, é este sistema --- o cooperativismo --- que melhor actualiza o autêntico padrão social do Evangelho.
         3º - Quando o bispo, o mesmo que mandou ocupar o citado templo, afirmou que o pederasta Pe. Frederico, seu secretário particular, (condenado a 17 anos de cadeia) era comparável a Jesus inocente na Cruz, aí o Pe. Tavares não suportou  uma blasfémia tão sacrílega, então rompeu abertamente e deu um outro rumo à sua vida, tornando-se deputado da CDU na tribuna da Assembleia Regional onde passou a defender uma sociedade limpa, combatendo vigorosamente a escandalosa aliança, até às raias da submissão da diocese ao governo da Madeira.
         Cada um destes momentos históricos, só por si, bastaria para assinalar e imortalizar a personalidade inquebrável de um Homem ao serviço de toda a Humanidade. A História escreve-se com gente desta estirpe.
         Obrigado, Pe. Tavares. Como afirmou um elemento da nossa comunidade, sem o Pe. Tavares a Ribeira Seca hoje não seria o que realmente é.

23.Mar.2015

Martins Júnior    

sábado, 21 de março de 2015

A UM SEMEADOR DE PRIMAVERAS

Padre Mário Tavares Figueira

Nesta noite ímpar do Inverno para a Primavera, associo-me à justa Homenagem que a comunidade da Ribeira Seca e os muitos amigos da Região e do Continente vão prestar-lhe neste domingo. Dedico-lhe, pois, este impulso de amizade e gratidão em forma de Acróstico:

Montanha agreste e bela foi
Aquela em que nasceste
Rebento moço de outras eras
Invicto semeador de primaveras
Onde antes só cardos cálidos havia



Tronco robusto que cresceu
Afrontando sois e chuvas e ventos
Venceste nortadas e tormentos
Apertando serpentes milenares
Rasgaste o claro Dia Novo
Eergueste o  facho olímpico Tavares
Sobre a noite funda que afunda o Povo



Filho de um deus maior
Incarnaste a armadura de Marte
Guerra, gritaste, aos tronos e aos mitos
Unindo a luta e a arte
Encheste a terra de sonhos infinitos
Inclito bandeirante, grande Mário
Recordaremos sempre Tavares Figueira
A honra de Machico e a glória da Madeira



21/22.Mar.2015

Martins Júnior

quinta-feira, 19 de março de 2015

ODE PEQUENA PARA UM POVO TÃO GRANDE







Tendo ocorrido ontem o 30º aniversário da vitória do Povo da Ribeira Seca sobre a bárbara ocupação do seu Templo pelas forças policiais, durante 18 dias e 18 noites, às ordens do Bispo da Diocese e do Governo da Madeira, dedico este Canto Pequeno a tão Grande Feito:

Vieram os lobos primeiro
Sangue de verniz
No pelo e nas unhas
Sem falas nenhumas
Devoraram num triz
Chaves, portas e gonzos
Do Templo do Povo
Mas a sua alma
NÃO!!


Vieram depois abutres
Beberam o pão
E o vinho novo
Do altar sagrado
Mas a sua fé
NÂO

 Vieram negrejandas garras
De bárbaros salteadores
Mais feros que uns etarras
Arrancaram as luzernas
Que alumiavam o chão
Do Povo sem luz
Mas o sol que havia dentro dele
NÂO!

Vieram padres da Inquisição
No corpo e nas armas
Da soldadesca sem culpa
Em tortura e de arrastão
Homens jovens mulheres
Atirados à prisão
Só pelo crime
Do amor sublime
Àquilo que é seu
A mim podes prender-me
Diziam
Mas o Povo com razão
Não vais prender
NÂO!


Romanos mercenários
De faixa vermelha
Estranguladores
Daquela materna centelha
Que amor se chama
Maldita raça da pérfida moirama
Não deixaram que a Mãe
Pudesse ver e beijar
Os filhos que tem
Na prisão injusta
Por Herodes e Anás
Por Pilatos e Caifás
Roubareis o beijo e o pão
Mas aquele brilho
Entre Mãe e Filho
Isso nunca
NÃO!


Trinta anos dobrados
Trinta cânticos moldados
De luta
E fogo novo
Bebendo a cicuta
Da taça peçonhenta
Que os facínoras preparam
Para afogar o Povo nessa tormenta
Mas nem Vigia nem Mitra
Nem Roma nem Meca
Apagarão a História
E o facho da Vitória
De um Povo – RIBEIRA SECA!

19.Mar.2015
Martins Júnior


terça-feira, 17 de março de 2015

FACE AO FUTURO GOVERNO, TODOS SÃO CALOIROS E APRENDIZES


Nesta altura de viragem do Cabo das Tormentas de 38 anos de mini-adamastores para o Cabo da Boa Esperança no mar largo que rodeia o nosso arquipélago, entendo que todo o cidadão tem uma ideia, um poema, um grito de trombeta vibrante e tem obrigação de proclamá-los neste que é um tempo novo e uma nova linha de horizonte. Agora mais do que nunca, o povo sente-se livre, livre, na manhã virgem de um novo dia. Acabaram-se os medos, quebraram-se as algemas, desapertaram-se as amarras que nos prendiam ao velho do restelo que ameaçava quem quisesse ir mais além da sua horta de sapos e répteis de veludo. Povo das ilhas, agora iça a vela e faz-te ao largo!
E nesta largada determinante --- como determinante e mal-aventurada foi a  partida eleitoral de 1976, que se apantanou durante quatro décadas --- o meu alerta e o meu poema continuo a defendê-los como um luzeiro na alta gávea do navio: construamos o futuro da Madeira chutando para longe o tubarão chamado Maioria Absoluta! Nem perco tempo com cartazes, com desordenadas “palavras de ordem” sempre iguais, muito menos com promessas por mais aliciantes que sejam. Pedindo desculpa se acaso vos maço com variações sobre o mesmo tema, acho que o importante é aprender a lição da história: entregar todo o poder nas mãos de um só jovem, passar procuração para mexer no nosso dinheiro a um único caloiro (como aconteceu desde o início, repito, até agora) significa o suicídio da nossa autonomia colectiva.
Digo caloiro, porque caloiros são todos os que agora se apresentam ao balcão do supermercado da Política. E eu pergunto: vamos dar a um novato  o diploma de doutoramento, apenas por causa de meia dúzia de fretes que fez ao “Prof” da cadeira? Lembremo-nos que são todos serventes, aprendizes. E vamos nós passar a carteira profissional de mestre ou arquitecto ao aprendiz que até agora só soube fazer massa grossa no prédio que pretende chamar seu? Não digo que lhes faltem engenho e arte, mas escasseia-lhes “o saber de experiência feito”, sendo que este “saber maior” é o de aprender com o colectivo, estar conectado com todas as redes comunicacionais que o povo lhes envia através de todos os seus legítimos representantes. Nesta altura, da reincarnação da autonomia popular, os eleitos têm de passar por um tirocínio, aquele estágio oficinal e tão forte e impressivo   que não lhes suba à cabeça a tentação da infalibilidade que, neste caso, mais não é senão tacanhez de espírito e cegueira de Nero.
         Ar fresco, vento norte, saudável e criativo é o que faz falta naquele amordaçado Parlamento. Isso só será possível sem maiorias absolutas.
Para que todos estejamos em pé de igualdade lá dentro --- igualdade de direitos e deveres, igualdade de respeito e convicções --- só há, em minha opinião, dois indicadores: Primeiro, não ficar em casa. É ditado antigo: quem desiste já está vencido. Segundo: estar atento às sondagens que, embora valendo o que valem, dão-nos informação aproximada. Aqui e agora, é preciso não apostar no mesmo cavalo, seja ele qual for.
Finalmente, consideremos que, com a criação de um único círculo eleitoral na Região, todos os votos convergem para uma mesma e única urna e todos são aproveitados, seja o das cidades, seja o do mais remoto lugarejo. É o que se pode chamar  a globalização dos votos. Ora, todos sabemos os efeitos desastrosos desse fenómeno sócio-económico, à escala global, em que o suposto “bem” da globalização tornou os fortes ainda mais fortes e os fracos muito mais fracos, inclusive, a destruição da classe média.
Na votação global de 29 de Março, não deixaremos que os adamastores fiquem mais ameaçadores e os frágeis nautas portugueses que somos nós se sintam mais ameaçados. Contribuamos, esclarecidos e vigilantes, para desta vez construir o ideal social mais justo: uma Assembleia igualitária, em direitos e deveres. Se Assembleia e Governo forem respeitadores, o Povo será  mais respeitado.

17.Mar.2015

Martins Júnior

domingo, 15 de março de 2015

CONTRA AS MAIORIAS ABSOLUTAS DA ILHA, MARCHAR, MARCHAR!


Aprecio os teorizadores, venero os filósofos mas, acima de todos, curvo-me e acompanho os fazedores, os operacionais. O mais poderoso alicerce do pensamento não passa de um fraco, quase inútil construtor se não produzir a acção. Na tradução da sabedoria popular: “Por agora, não quero quem saiba, quero é quem faça”.
         Trago este axioma de Lineu precisamente no início de mais uma campanha eleitoral. E aqui chamo à mesa do debate o povo, os eleitores, convocando-os (melhor, convocando-nos todos)  não para o ruminar cansativo de programas e promessas sempre iguais, mas para um acto prático e eminentemente produtivo nesta estação.
Parto do velho princípio da literatura latina Natura non facit saltus, “a natureza não se constrói aos saltos, querendo com isto significar que a verdadeira evolução e o crescimento sustentável não se fazem abruptamente, mas gradativamente, tal como o pomar ressequido não volta a produzir com os caudais da  aluvião mas com a serena e regular pressão da chuva miudinha.
Ora, o que têm vindo a apregoar os filhotes da “Madeira Nova”  --- e todos os outros querem o mesmo, embora não se atrevam a dizer --- é a conquista  da maioria absoluta. Pois bem, feitas as contas e as retrospectivas, concluo que  a oferta dos  madeirenses a uma nova maioria absoluta é o que há de mais pernicioso para a educação política de um povo ilhéu que acaba de sair de uma anacrónica e carunchosa  maioria absoluta de 38 anos de canga em cima da gente. A mãe de todos os abusos, recalcamentos e embustes, tanto a nível social, como nas áreas da cultura e da economia só têm um nome: maioria absoluta. “Se queres conhecer vilão mete-lhe a vara na mão”. É isto que os meus olhos têm constatado no pós-25 de Abril regional. A maioria absoluta nas mãos do vilão torna-o cego e surdo aos clamores dos ofendidos e humilhados que lhe deram o voto. Já vem de longe o veredicto irrefragável: “O Poder corrompe sempre e o Poder absoluto corrompe absolutamente”.
         Temos de convencer-nos que só haverá políticos sérios quando eles temerem o povo. Ora, se o povo lhes dá a maioria absoluta, eles deixam de temer o povo. Admitiria, porventura, uma maioria absoluta para os melhores se vivêssemos num regime de democracia participativa, em que os eleitores possuíssem instrumentos legais para intervir directa e prontamente nas propostas dos decisores, como acontece com o instituto do referendo e consultas populares, situação que nunca foi aceite pelos nossos governantes.
Como o nosso regime é tão-só uma democracia representativa, em que os eleitores ao darem o voto aos deputados perdem toda a sua força durante quatro anos (na Madeira, repito, foram 38 anos) então adeus soberania popular, adeus direitos de cidadania. Ao triste e enfezado povo só lhe chega a força de quatro em quatro anos. E para quê? Para apertarem ainda mais a corda ao próprio pescoço.
Abramos os olhos e eduquemos a nossa intuição reactiva. Os madeirenses, escaldados de quase quatro décadas de pontapés e escarros que lhe atiraram da Quinta Vigia, terão coragem de lá pôr um suplente absoluto que salta do banco para desatar outra vez aos pontapés e aos canivetes de calhau?... Tenham juízo!  Fujam dele como o diabo da cruz” . Seja de que partido for.
         O povo e os políticos madeirenses precisam de uma cura de autêntica democracia representativa, enquanto não ganham a tão suspirada e adulta democracia participativa. Todos temos de fazer esta catarse (esta limpeza) ideológica e pô-la em acção. Hão-de ver os poderosos senhores andar todos os dias  (e não de quatro em quatro anos) de chapéu na mão mendigando o nosso voto. Ai, quando é que os meus conterrâneos acordam para a arma mais potente e silenciosa que têm na mão: o VOTO?... Haveríeis de passar, como eu passei, pelos bancos de uma câmara ou de um parlamento e ser humilhado como eu fui, só porque o povo deu de graça  a maioria absoluta a um partido, repito, seja ele qual for!!!
         É tempo de acção. Aqui e agora.
         Na Madeira, aqui e agora, contra as maiorias absolutas, marchar, marchar! 

15.Mar,2015
Martins Júnior