domingo, 27 de dezembro de 2015

RIBEIRA SECA EM MACHICO: BELÉM DOS TRÊS PRESÉPIOS


Nenhuma tradição  ditou tantas e tão singulares fontes de inspiração artística como o Natal do ano I da nossa era. Embora se atribua a Francisco de Assis a sua primitiva criação  no século XIII, o facto é que miríades de estrelas natais se abriram por tudo quanto é espaço terráqueo, cada qual com o seu brilho e sua tonalidade. Quer no Oriente, quer no Ocidente, na paisagem africana ou nos confins da Ásia,  mãos de artífices nativos deram forma e cor ao cenário quase mítico de um parto único na história dos nascidos e dos nascituros: a gruta ou estábulo, o calor da vaca e do burrinho (que o ex-Papa Bento XVI considera inverosímeis), os pastores, o coro do “exército celeste” e até os (reis) Magos que inicialmente seriam doze, reduzidos mais tarde ao máximo de três pelo Papa Leão no século V --- todo este enquadramento pleno de ternura e romantismo avassalou a imaginação de criadores ancestrais que ainda hoje se repercutem nos mais longínquas paragens e civilizações.
         Não obstante a persistente representação folclórica do presépio, é lícito e desejável que se descubram na esteira da estrela de Belém cintilações múltiplas e originais traduzindo as mil mensagens que dimanam da aparição daquela criança no mundo. Pobre e redutor seria olhar o acontecimento pela instantânea objectiva doe um eventual fotógrafo primário. Há muita paisagem social e humana,  há muitos revérberos de espiritualidade para além da moldura bucólica que envolve o Menino “numas  palhinhas deitado”.
         Assim tem acontecido, todos os anos,  no  modesto vale da Ribeira Seca, a nordeste do grande vale de Machico. No ano de 2015, templo, palco e mapa-jardim da Madeira juntaram-se para cada qual relevar a tríplice dimensão do presépio. Fruto do trabalho braçal de homens, mulheres e jovens, Ribeira Seca apresenta-se como a “BELÉM DOS TRÊS PRESÉPIOS”.
         Dentro da igreja, o figurino tradicional resplandece nas cores da vida que enlaçam toda a dimensão do altar, o vermelho do coração, o verde do sonho e da esperança, o abraço quente do Menino de outrora envolvendo quantos o sentem, dentro ou fora do templo.
                                                                      


No palco aberto e livre, a sugerência do Globo em madeira rústica, onde se desenha a grande trajectória da espécie humana sobre a terra, desde os seus primórdios. Figuras semelhando antigas civilizações convergem todas para o berço, feito com vime dos nossos campos. Elas, caminhando na mesma direcção, sugerem também os refugiados foragidos da guerra. Num outro plano vem aquele ansiado desiderato da Paz, com os camuflados de guerra espalhados pelo chão e as armas quebradas junto ao presépio: é a mensagem inacabada de Belém que aos homens compete concluir --- perante  o berço do Menino e servindo-lhe de  alcova , o material bélico transformado em cravos e violetas.
No mapa da ilha, desenhado no jardim, então prestamos homenagem aos nossos antepassados, com a antiga “lapinha em escadinhas”, símbolo de uma história vivida há seiscentos anos desde a Descoberta. Estamos, na trilogia dos símbolos, irmanados  com o passado, o presente e o futuro.
                                                 

       
  Encimando todo este singelo anfiteatro, ergue-se lá no alto, dentro do globo terrestre Jesus-Menino, todo iluminado, prodigalizando  o seu carinho, não apenas à Ribeira Seca, mas “a todos os homens de boa vontade”.
         A criança de Belém é tão ampla e poderosa que não pode circunscrever-se ao “miminho” de uma gruta. Ela tem uma dimensão cósmica, tocante e actual, que cabe a cada época descobri-la e realizá-la.
BENVINDO SEJA QUEM VIER POR BEM
                   NATAL SEMPRE!

27.Dez.15

Martins Júnior

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O PARTO FINAL, SEM O QUAL NÃO HÁ FESTA



Chegámos ao topo alto desta pirâmide construída em nove dias, ao abrir da madrugada. E no seu vértice erguemos a bandeira do Perdão. Este é o nosso parto sem o qual não haverá festa. Ele é doloroso mas, no seu términus, brinda-nos com o gostoso fruto da saúde física e mental. Com o bolo-rei da Paz! 
Doloroso porque nos põe em tribunal, onde não há testemunhas nem advogados. Somos nós próprios réus, testemunhas e advogados nesta causa.
Hoje é o dia de transformar o deficit em superavit: o deficit sombrio da auto-acusação negativa (conflitos, maus humores, indiferenças e vinganças) em superavit de conciliação, respiração sadia, sublimação de complexos depressivos contra terceiros.
E tudo isto é trabalho nosso. É o nosso parto necessário para alcançar o firmamento sem nuvens do Dia de Natal. Daqui a pouco, na Festa-Eucaristia do Perdão,  confrontar-nos-emos com o drama da condição humana de que já Públio Ovídio Nasão, na antiga Roma,  inelutavelmente se penitenciava: Video meliora deteriora sequor --- “vejo o que é o melhor, mas sigo o pior”.
Tarefa exclusivamente nossa: nem de Deus, muito menos da Igreja, pior ainda da confissão dita sacramental. Só um louco é que teria a ousadia de conseguir ofender a Deus, quando nem tem força para atingir as nuvens com uma pedra. Prejudicamos o outro. E ao outro que se deve pedir perdão. A ofensa e o perdão são um contrato bilateral entre o agressor e o agredido. Mais ninguém. De muito longe vem esta reflexão comunitária no lugar onde vivemos: nenhum perdão sai da Igreja se, primeiro, não lá entrar. Dizia-me um amigo ancião, analfabeto para o mundo, mas sábio da filosofia existencial: “ É como o pão amassado em casa. Só vou achar perdão na Igreja, se já o levar amassado para a Igreja”.
Os maiores criminosos, autores do grande pecado social, desde legisladores a governantes,  juízes e testemunhas, cardeais e ateus, ladrões e especuladores, esses já perderam toda a sensibilidade e a gangrena que lhes rói os ossos impede que sintam os atentados ao outro, aos outros. Por isso que nunca terão Natal, por mais rica que seja a baixela da sua mesa.
Às seis da manhã de 24 de Dezembro,  o parto do Perdão será o Pacto da Aliança entre ofensor e ofendido, sem que um ganhe ou outro perca. Não haverá vencedores nem vencidos. Todos ficaremos a ganhar.
Sem esta Festa --- a do Perdão --- não haverá a outra Festa: o Natal.
Bom Perdão --- o mesmo que dizer Boas Festas!

23.Dez.15
Martins Júnior



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

DEMORE-SE E FAÇA O SEU “CANTICO DOS CANTICOS”

Para se chegar à Festa/ Festa da nossa alegria/ Anda tudo baldeado/ Como o mar em levadia/ Ninguém pára nem descansa/ Quer de noite quer de dia
Cantigas do povo, como esta, traduzem a azáfama e o bulício que põem tudo a mexer: crianças e adultos, estradas e veredas, geleiras e igrejas. Não há tempo porque o tempo urge. Muito menos para ler. E não serei eu a meter areia no maquinário das tarefas radiantes mas efémeras desta semana melhor. Apraz-me assim designar estes dias. Se na Páscoa há a Semana Maior, no Natal sobressai a Semana Melhor. Por isso, limitar-me-ei a respigar notas soltas do sumário de ideias que  temos saboreado no novenário da Missas do Parto, como primeiro manjar das seis horas de cada manhã.
É a imanência do Parto, mais a sua transcendência  que nos trazem presa a atenção e a emoção, principalmente no tocante à terra, à ecologia, à vida. Hoje esquecemos decididamente os atentados ao ambiente, deixámos de fora a poluição dos campos e dos mares, para só nos extasiarmos diante de uma flor, de uma tangerineira, das majestosas  montanhas, do azul infinito que une os extremos do céu aos oceanos. Numa palavra, hoje é dia de ser poeta do verso de todas as cores do arco-íris. “O poeta em tudo se demora” --- assim ecoa dentro de nós  a  “linda, longa melodia imensa” de Sebastião da Gama. E o “Guardador de Rebanhos estira-se ao longo do manto da verde relva e vê saúde, respiração, felicidade.
Habitar o campo, conversar com o vetusto tronco da nogueira, ver crescer como um filho os “pés de semilha”, tão mimosos como as rosadas buganvílias, enfim, beber a água das nascentes e inebriar-se do cheiro da terra, do milagre da vida que se oferece gratuitamente aos nossos olhos e nós nem damos por ele. Que pena calcar aos pés da indiferença mortiça as violetas roxas de paixão que são pisadas e nunca se queixam…
“Olhai os lírios do campo”, repete Eric Veríssimo o lirismo bucólico do Cristo histórico. Ele, o “Maior dos filhos dos homens” também era poeta, também se demorava como a abelha obreira sobre o mel a haver das flores silvestres. O povo da ruralidade tem um privilégio que não têm os inquilinos das cidades.   
Acompanhámos  o LAUDATO SI  em cujas páginas o quase-octogenário Francisco jovem do século XXI evoca o Francisco romântico do século XIII que a todas as terras, a todos os sóis, a todos seres chamava “Meu Irmão e Minha Irmã”.
“Demore-se” um pouco…pela sua saúde --- física e mental. E ao olhar o presépio ame o Planeta e o que ele contém. Mais ganha em “demorar-se” do que em ir à farmácia… É o que de mais doce traz este Natal!
“Olhai os lírios do campo”… e deliciai-vos com o “Cântico dos Cânticos” --- o bíblico e o vosso  do dia-a-dia.  

21.Dez.15

Martins Júnior

sábado, 19 de dezembro de 2015

PATERNO-MATERNIDADE UNIVERSAL “Irmãos, amai a Terra”!



Terminei o meu último bilhete postal de SENSO&CONSENSO com a descoberta da evidência que nos envolve e da qual nem sempre guardamos registo: A Terra inteira está grávida de sonhos e tesouros que esperam por nós para ver a luz do dia, confirmando assim a natural vocação de cada ser humano --- todos somos parturientes, progenitores nesta “Casa Comum” da paterno-maternidade a que todos somos chamados desde a nascença.
Só que, para desdita nossa, umas vezes somos progenitores, outras somos assassinos que devoram a Vida no próprio ventre da terra-mãe.
Serve esta alcatifa textual de introdução para informar que, em 2015, a estrela que vai polarizar, aliás já iniciámos,  as nossas Missas do Parto na Ribeira Seca consiste na resolução da grande incógnita,  suspensa como espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças: criadores ou assassinos?
Surge, logo à entrada, o trato que as nossas mãos têm dado ao planeta, ou seja, a magna questão ecológica, uma questão de vida ou de morte. Já sabemos que são os países mais ricos os que, avidamente, mais destroem a Terra que é de todos. Os sucessivos fracassos das cimeiras, como a do Brasil e a de Quioto, procuram agora emendar a mão e sanar crimes ambientais, na Cimeira de Paris.
Não vou repetir os considerandos expendidos  em páginas anteriores, mas tão-só dar a conhecer a decisão de ocupar o novenário pré-natalício com a leitura de textos, não apenas bíblicos, mas também científicos sobre os benefícios e malefícios do ambiente, incluindo a encíclica LAUDATO SI do Papa Francisco, um documento que se posiciona como um cântico triunfal à criação e, ao mesmo tempo, um vigoroso libelo acusatório contra os que, atraiçoando a sua identidade vocacional, passam os dias a congeminar os mais sofisticados estratagemas para envenenar os vivos e matar a Terra. Desde a destruição da Amazónia até ao anúncio da projectada pesquisa de petróleo no Algarve (que está a merecer uma justa indignação dos algarvios) tudo estamos a ponderar nestes dias evocativos do Grande  Parto da Vida, em Belém.
Amanhã prosseguiremos a leitura do Irmão Francisco, o argentino, esse texto que galvaniza os espíritos mais empedernidos e ofusca as trevas dos maquiavélicos manipuladores dos direitos da Terra e do Homem. A título exemplar, reproduzo aqui a citação que Francisco Papa transcreve do Patriarca Bartolomeu: “Atentar contra a natureza é pecar contra Deus e contra a Humanidade”.
E porque a Criança de Belém não veio cá para passar férias ou suportar estafadas devoções folclóricas, também a nossa comunidade procurará despertar a sensibilidade para tocar e estremecer de júbilo ao tocar com as mãos a Beleza inimitável dos “lírios do campo que não tecem nem fiam, mas que se  vestem daquela magnificência que nem o rei Salomão conseguiu igualar, muito menos suplantar”-
“Irmãos,amai a Terra” --- proclamava  Nietzsche, o fogoso filósofo alemão.
Força, caminhantes da descoberta!

19.Dez.15
Martins Júnior


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

“VIRGEM DO PARTO, OH MARIA”! Este planeta --- uma imensa maternidade


Em toda esta nação de Santa Maria não há povo tão  madrugador como o do arquipélago da Madeira!
É o que certamente dirá qualquer visitante, venha ele do continente português ou fora dele. E tem razão. Quem percorre, de agora  até ao Natal, as cidades e aldeias das nossas ilhas há-de avistar-se com  romarias e cantares, aqui, acolá, mais além, ininterruptamente, tal como sucede a quem faz uma viagem intercontinental e vê lá do alto o sol nascente, surgindo à compita na crista de cada fuso horário percorrido.
A nossa gente ama o mágico, o secreto sortilégio da aurora que vai nascer. Faz mesmo lembrar as luminárias de outrora, os ritos inebriantes das eras pagãs, sobretudo o dies natalis solis invicti --- “O dia do nascimento do sol invicto”, alusivo ao solstício de inverno e que terá sido absorvido pelo Natal do Menino. É bonito de se ver o povo na sua estatura sacro-profana, dando largas à alegria que o liberta de traumas e medos do quotidiano onde tantas vezes resignadamente vegeta. Já não direi o mesmo quando  à  “Missa do Parto”, que virou moda, se atrelam instituições  estranhas à comunidade,  perdendo-se aí a típica    espontaneidade popular. É saudável e reconfortante ver  a comunidade intacta e unida no seu respiro matinal.
Mas seria uma grande pena se os animadores-figurantes do folclore mariano ficassem  por aí, no arraial ligeiro de chocalhos e machetes. Porque a devoção à Senhora do Parto condensa, desde tempos imemoriais, a intuição e a sensibilidade telúrica de um povo que ama a vida incarnada num novo “pequeno-grande ser” que nasce sobre a terra. Interpreto como um poema, quase-epopeia, a saga de quem rasga o ventre materno para pegar no facho da vida e iluminar a noite escura do planeta. Sem parto não há mundo nem há vida.

No humilde templo onde também se festeja a Senhora, chamada do Amparo, é esta a palavra-passe que vai abrir o computador das nossas mentes durante estas madrugadas. O Parto ! --- início e meio ecológico onde cada um de nós faz ressurgir e crescer “a ânsia de subir e a cobiça de transpor”, como triunfalmente cantou  Goethe,  no seu “Fausto”.
Vamos reflectir e descobrir que este Planeta é uma imensa e colossal Maternidade onde todos nós somos parturientes do futuro, criadores do amanhã: somos todos e simultaneamente dadores e beneficiários, progenitores e herdeiros. A terra inteira está grávida de sonhos e tesouros que esperam por nós para ver a luz do dia!
         É a nossa essencial  homenagem à Senhora e o que Ela de nós mais espera.  E depois, cá fora, o povo espontaneamente confirmará, com euforia e substância, a alegria natural de co-participar no renascimento da Vida!

17.Dez.15
Martins Júnior     

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

CASAMENTO CIVIL-CASAMENTO RELIGIOSO: Linha do meridiano entre dois hemisférios



Dezembro, mês de ternuras, de casamentos, de natais. Na geada fria que perpassa à nossa beira, passam também os segredos da vida --- biológica, afectiva, social --- e, com eles, o sortilégio e o encanto que sobredoiram a monotonia do comum dos dias.
Coube-me essa prenda de Natal quando, no mesmo dia 12,  fui  chamado a associar-me a duas cerimónias de casamento: tão diversas no ritual e tão iguais na sua essência.
Dois casamentos --- um civil e outro religioso. O primeiro nos jardins da velha fortaleza que se ergue há mais de trezentos anos, como sentinela vigilante, no coração da baía de Machico. O segundo, no templo da Ribeira Seca, situado num território de história também  tricentenária.
E começa, precisamente por aqui, a similitude de identidades convergentes: o templo da Ribeira Seca tem origem na primitiva capela que, em 1692, o capitão-secretário da Câmara de Machico, Francisco Dias Franco,  mandou construir sob a égide de Nossa Senhora do Amparo. A fortaleza, construida em 1706, dedicou-a o seu autor, o mesmo Francisco Dias Franco, à mesma Senhora, sob a designação de Nossa Senhora do Amparo.
         O objectivo deste meu SENSO&CONSENSO não é mais que o de partilhar a emoção e a descoberta de horizontes que a mentalidade tradicional nos apresentou tão contraditórios e que, no seu íntimo, são tão unidos e congénitos como as linhas do círculo quando se encontram--- casamento no civil e casamento na igreja. Semelhanças e contrastes. Quem se lança à decifração do enigma?... Levar-nos-ia longe esta incursão e decisivas seriam as conclusões. Limito-me a partilhar aqui  a síntese do discurso, em tudo semelhante, que dirigi nos dois eventos festivos, sujeitando-me à contradita de quem julga por critérios diversos dos meus.
                                                     


1 – O casamento é um contrato bilateral da inteira e única responsabilidade dos nubentes. Por isso, o Código de Direito Canónico classifica-os, aos nubentes,  de ministros do matrimónio. Assim sendo, o padre não casa ninguém, o bispo não casa ninguém, o papa não casa ninguém. Estes são apenas testemunhas qualificadas que aceitam o juramento daqueles. Mesmo casando em Roma, com o Papa a presidir, 100 cardeais, 1000 bispos, 10 000 freiras, 1 000 000 de fiéis  apinhados em S. Pedro --- se, na altura da declaração de vontade, um dos nubentes dissesse que não --- podia o Papa desfazer-se em bençãos rituais, mandar chover água benta, haveria um tsunami de orações e cânticos  --- haveria tudo…menos casamento. Ai, se os casais descobrissem e interiorizassem a nobreza e magnitude do seu compromisso, livre e responsável, então aguentariam firmes os embates da vida. E a  quem viesse dizer-lhes que o casamento era uma prisão responderiam gloriosamente, como Gilbert Cesbron num dos seus romances: “A minha prisão é um reino”!
2 – O elixir “ mágico” e o segredo da longevidade do amor conjugal residem dentro dos nubentes e podem resumir-se neste breve axioma: Quem muito ama- muito dura. Quem ama pouco–pouco avança. Quem ama totalmente-ama eternamente.
3 -  Não foi por mero acaso que o primeiro milagre que Jesus realizou aconteceu precisamente numa festa de casamento. Gente trabalhadora, gente humilde, pois até faltou o vinho na festa. Milagre, o primeiro, porquê?… Porque não há maior milagre do que unir duas vontades livres e responsáveis num mesmo tronco existencial. Para mais, neste caso, no mesmo afã de amar e construir o mundo novo que brotará daquela jura assumida, consciente.
4 -  Por isso, em cada casal que se entrelaça, aí se encontram um Novo Adão e uma Nova Eva. Com eles, recomeça a trajectória do planeta habitado pelos humanos, a partir do "jardim terreal" do espaço onde irão viver.   
Casamento civil –casamento religioso: em qual dos dois estará Deus mais perto?... Só os noivos poderão responder. Porque todo o cenário envolvente --- local, oficiante, coro e orquestra, padrinhos, convidados --- não são mais que a moldura do quadro dentro do qual o segredo do sucesso está na força  do seu voto, ali subscrito mais com a cor do seu sangue do que com a tinta do  aparo dourado.

Para os dois casais amigos, o abraço da primeira hora!
A felicidade segue os vossos passos.


15.Dez.15
Martins Júnior