sábado, 31 de março de 2018

QUEM FAZ DE RESSUSCITADO?... PRECISA-SE COM URGÊNCIA! APRESENTE-SE HOJE, SÁBADO!



Porque hoje é Sábado, véspera da grande apoteose, não há tempo a perder, Organizem o casting, tragam todos, de perto ou de longe, seleccionem os melhores, mas não excluam ninguém, porque amanhã, madrugada pronta, é preciso cortar a porta férrea do cemitério e abrir a sepultura. De imediato, o sortilégio, o grito de vitória soltar-se-á de um corpo redivivo: “Eis-me de novo, Ressuscitei”!
Era num guião destes que eu alinharia já, como simples figurante, fosse qual fosse o programador de cena.
Descontados os contornos hiperbólicos da narrativa, o que me apraz verificar durante esta Semana Maior é a atracção fatal para o trágico, uma vertigem congénita para o abismo, para o sangue, enfim, para o crime consumado. É ver a trama masoquista destes dias, o preciosismo de certos cortejos processionais, o requinte doentio dos pormenores, os crepes  arroxeados, negros, os pálios medievais, as vestes tipo sumos-sacerdotes de Jerusalém, “o descendimento da cruz”, agora exposto em hasta pública, candidato a património imaterial. E, depois, o enterro do Senhor, com direito a fanfarra fúnebre.. É bonito, comovente, turístico e até “dá dinheiro à economia e à autonomia”…  Parece inesgotável a nascente lacrimejante que brota do coração da cristandade, Talvez porque não se ouviu ainda a fala do Cristo às mulheres de Judá: “Por Mim, ninguém chore”. Estranha filia esta de extasiar-se diante de alguém, indefeso, quase nu, esvaindo-se em sangue numa cruz! Quem gostaria de ver seu pai ou sua mãe repetidamente retratados naquele fatídico cadafalso?,,,
Milhares e milhares de encenações deprimentes sucederam-se nestes dias. Nos altares, despiram-se as toalhas de linho, Nas catedrais, os prelados benzeram os “Santos Óleos”. E, no meio de tão desviantes rituais, onde é que está o anúncio do Cristo Vitorioso? Quem lhe prepara a reconstituição simbólica, quem lhe põe em condigno alto-relevo  a pujança desse gesto glorioso, quem  toca a rebate e quem põe a multidão em marcha para trazê-lO de volta ao nosso convívio???... Os liturgistas oficiais preferem que os crentes adormeçam junto ao cruzeiro, na enxerga da derrota, em vez de fixarem o olhar no brilho fascinante daquele que cantou e canta sempre Vitória.
Assim como, para Pascal, “Jesus está em agonia até ao fim dos tempos”, assim também o mesmo Jesus está em constante  “re-incarnação” vitoriosa até aos confins da história. Depende de nós, actualizar esse triunfo sobre a injustiça e a mentira organizadas. Não serão nunca as lágrimas pias que conseguirão trazê-lO de novo. É a vida, a acção, é mesmo a luta persistente contra os obreiros da morte, os Anás e Caifás, os mercenários de Herodes, tantas vezes acobertados nos cofres dos santuários. Foi assim que o Grande Vencedor ganhou “o duelo entre a vida e a morte”.
NA TUA (e na minha, na nossa) MÃO – A RESSURREIÇÃO – é a palavra de ontem, de hoje e de sempre, encimada no nosso templo, salão nobre da comunidade, Casa-Mãe da nossa crença n’Aquele que se quer vivo, dinâmico, revolucionário pacífico das mentalidades e dos costumes!
Ainda espero o toque de clarim para derrubar os muros de luto,  abrir os sepulcros e, enfim,  cantar um Alleluia que não morre mais.

31.Mar - 1.Abr.18
Martins Júnior
  


quinta-feira, 29 de março de 2018

QUINTA-FEIRA… A MAIOR NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE


                                               

Para apagar o rasto das “quintas-feiras negras” de todos os tempos, surge a Quinta-Feira, a Maior! Começa ao cair da tarde  e não se lhe vê o fim. Ela é a do pão e do vinho, mas é-o também da frustração e da amargura, de suor e sangue. Ela é a do perdão, mas também da traição. Do amor e da vingança. Do triunfo e da tragédia anunciada.

Esta é a tarde e a noite e a manhã que despontarão sempre, num ritmo incessante e cíclico onde nasce e renasce toda a trajectória dos humanos viageiros. A trajectória tem nome e estatura: é a mesa global que circunda o Planeta. Todos têm lugar marcado neste banquete universal. Ninguém é excluído da boda. A ementa é amassada de terra e água e sol criador: é trigo e é bacelo, pão e vinho. Neste repasto sem mordomos brilha a cereja em cima do bolo de aniversário: o abraço total, até para o espião, o ‘amigo’ traidor.
Daria tudo para entrar no coração e nas pupilas do Nazareno, ler a lonjura do seu sonho, ali mutilado, afogado na poça de sangue do seu corpo assassinado menos de 24 horas após a ceia da despedida. O estratega infinito diante dos seus “homens de mão”, doze pobres aprendizes, tímidos, de horizontes fechados!
Por hoje, fixámo-nos na Mesa, no Pão e no Vinho. E no Perdão. Repousámos na interpretação de Francisco Papa, quando abriu a cortina  e anunciou; “A Comunhão deveria ser tomada na mesma mesa comum… E preferencialmente nas duas espécies, pão e vinho”.
                                             
E foi com redobrada emoção que todos os comensais repetiram o mesmo gesto de há quarenta anos: aproximaram-se da mesa, estenderam a mão e tomaram a eucaristia. Da minha parte, realizei um sonho de outrora: pegar o pão  (pão-de-casa, amassado pelas mãos das pessoas e cozido no forno a lenha)  consagrá-lo, parti-lo e comungá-lo. Devo dizer que nunca me senti tão perto da Última Ceia! E o povo cantava:
Pão da terra que Deus cria
Para a nossa refeição
Hoje é vida e alegria
P'ra quem vive em comunhão

No exercício comunitário do perdão, o reconhecimento dos erros e o esforço de catarse interior fizeram toda a assembleia respirar o ar puro da concórdia, acompanhando o refrão:

Com perdão e liberdade
Faz-se a Mesa da Amizade

Mas não acaba aqui a Quinta-Feira, a Maior. É tarde, é noite e é manhã. Sempre. Porque  “Jesus continua em agonia até ao fim dos tempos”! (Blaise Pascal). 
  
  29.Mar.18
Martins Júnior

terça-feira, 27 de março de 2018

QUANTO PESA A RELIGIÃO NO MUNDO ?


                                                            

         Cá vamos nós no doce embalo da Semana Maior do ano, aconchegados ao colo da  Mãe-Igreja, seja a romana, a luterana, a americana dos “Últimos Dias” e todas aquelas que se mostram no híper das crenças que crescem por esse mundo fora. É suposto que, por via delas, se respire em toda a parte o cheiro a lilases de paz e a rosas de amor.
         Mas não é assim tão linear e automática a atmosfera do planeta, mesmo na sacra semana de cada ano. Porque sob o húmus pacífico das religiões, acotovelam-se  ciúmes e ciladas, armas e bagagens. Por mais absurdo que isso nos pareça. Jerusalém, por exemplo - esta semana  cúpula e altar do mundo -  já conheceu  contendas e massacres sangrentos, paradoxalmente coincidentes com as históricas e mais sagradas efemérides.
        Que oráculo profético ou mítica pitonisa poderão decifrar este enigma?
        Na recta final do Festival Literário do Funchal, há pouco realizado, posicionaram-se as três religiões mais poderosas da era actual: a católica, a judaica e a muçulmana, representadas respectivamente  por Frei Bento Domingues, Esther Mucznik e David Munir, sendo moderador o jornalista João Céu e Silva.  Por mais ecuménicas que fossem as suas juras de diálogo, afrontava-me a vista e estampava-me os tímpanos este tríptico inultrapassável: a guerra sem tréguas dos judeus contra os povos confinantes, acompanhadas de pragas como esta: Ó Deus Iahveh,  abençoa  aqueles que pegarem nas crianças dos nossos inimigos e as despedaçarem contra  os rochedos. (Salmo 135). No segundo quadro, via eu a hipocrisia e o furor das Cruzadas da ‘Terra Santa’, para já não falar da rapariga de Orleães condenada à fogueira pelos bispos franceses. E, por fim, estremeciam-me os gritos  Alá é Grande”, regados com sangue de inocentes. Todas “guerras santas”! Verdade que, no palco do Teatro Baltazar Dias, os três líderes religiosos teceram os maiores elogios à nova aurora que envolve as religiões, tendo por supremo arco-da-aliança a figura do Papa Francisco. Foi Bento Domingues quem proficientemente explanou esta causa. 
         Lembrei-me, então, da eloquente máxima do maior teólogo vivo Hans Kung, equiparada à proclamação insistentemente desenvolvida por outro teólogo de primeira água, o Prof. Anselmo Borges: Não haverá paz entre as nações, enquanto não houver paz entre as religiões.(respectivamente, Religiões do mundo e Religião e Diálogo Inter-religioso).
         Religiões e Nações: estranha relação esta de causa e efeito, de antecedente e consequente. Onde coincidem as duas? Em que cartório notarial se consorciam? Ou em que cama ou sofá se entregam e procriam?... Importante encontrar resposta, porque a Nação, enquanto poder político, não sobrevive sem a Religião, poder paralelo. Sempre foi assim, em todos os reinos do mundo. E Luís Vaz de Camões definiu-o, sem apelo nem agravo, ao priorizar a religião na aventura ou no assalto dos Descobrimentos: Dilatar a Fé e o Império.(Canto I,2).
Sem mais prolegómenos, entendo que na economia dos impérios a Religião só pesa se tiver poder. Aos chefes das nações só interessa o poder fáctico, ainda que embalsamado de incenso, que uma Igreja detém no todo nacional. E se, ao poder efectivo, unir o capital, então aí está entronizado o regime híbrido, “nó de víboras”, em que, como a luva na mão, o soberano político enlaça-se ao soberano religioso, por mais obscena que seja essa união de facto, desde que sirva sempre o mais forte contra o mais fraco. Abramos a história de ontem e de hoje e em cada capítulo lá encontraremos “a marca industrial”  da firma Igreja-Estado. Brada aos céus e rasga a consciência colectiva ver como certos mercenários da Religião tão impunemente a prostituem! Já, no século V, o grande Santo Agostinho, bispo de Hipona, censurava a Igreja de então, chamando-lhe Casta meretrix – “casta prostituta”.
Daí, a ridícula competição entre igrejas e religiões. Confesso o quanto me confrange e diverte, ao mesmo tempo, esse cardápio rádio-televisivo em que aparece a sombra do locutor: “Agora é a voz desta religião, depois a voz daquela e ainda, a seguir, a prédica  daqueloutra “. Só me soa aos ouvidos o tempo de antena dos partidos em vésperas de eleições. Enfim, “o povo gosta”… O problema não está na diversidade de ideias, mas na venda do produto ganhador de falsas hegemonias.
Na Semana Maior ( e aqui perfilo-me em sentido) impõe-se-me uma questão de vida ou de morte: “Quem quer seguir as pisadas do Mestre?... Fique já sabendo que o consórcio empresarial Igreja-Estado lhe reserva não um trono, mas um patíbulo”. Entretanto, encontrará o indizível Cântico da Paz: Os verdadeiros adoradores do Meu Pai são aqueles que o adoram em Espírito e Verdade. (Jo.4,23).

27.Mar.18
Martins Júnior  

domingo, 25 de março de 2018

PALMAS E BÊNÇÃOS AO PODER POPULAR !



         Deixem-me começar com um desabafo, fruto de uma constatação factual, colhida neste domingo: são falsas e contraditórias todas as comemorações dos grandes acontecimentos da história! Por outras palavras, as imitações destroem a realidade. Mesmo aquelas que se reclamam de patrióticas, encomiásticas, exaltantes a mais não poder – todas vêm deformadas, caricaturadas, ridículas. Porque os interesses dos seus promotores são outros, que não os originais. Porque deturpam, amputam e apoucam a sua pureza inicial, tudo cortado, acrescentado, talhado à medida dos ‘generosos’ promotores.
         Está neste caso o dia de hoje – Domingo de Palmas. Quando vejo nas reportagens televisivas os rituais, tão faustosos quão anémicos, que se realizam mundo fora, não resisto à indignação e, de imediato, ao sarcasmo que  me sacodem interiormente. Só por ver a manipulação pseudo-mística, quase esotérica, em que envolvem, escondendo-o, um acontecimento concreto, vívido e espontâneo.
         O que se passou então em Jerusalém? A maior manifestação do poder do Povo – um Povo que ali acorreu das aldeias e províncias vizinhas, na sua maioria camponeses e pastores nómadas, um Povo frágil de meios, cujas armas reduziam-se apenas a ramos de palmeiras e oliveiras, cerrando fileiras ao lado do seu Líder contra os barões dos hierarcas do Templo que já tinham pronto até ao pormenor o plano de assassiná-lO. O Povo apercebeu-se que os magnatas religiosos tinham consigo o beneplácito secreto do poder político. Portanto, aquela manifestação concreta e autêntica desafiava simultaneamente os donos da Religião oficial e os emissários políticos do Império.
         Mas a multidão avançou e fez tremer a cidade. Como que prenunciando o canto emblemático que mobilizaria os portugueses no século XX, ali o grande rio que inundou a capital judaica ressumava o histórico pregão: “Hoje, o Povo é quem mais ordena”. Que cenário esse, pujante de verdade, realismo e encantamento! Vinham de suas casas, com o traje do cote, cortavam ramos verdes, estendiam as capas pelo chão à passagem do Mestre. Sem ninguém a presidir e sem espectadores de bancada, mas todos participantes. Medos, para quê? Calculismos, rua! Liberdade em acção! Um por todos e todos por Um! E o grito espontâneo, palavras de ordem ditas, cantadas a plenos pulmões! “Bendito o que vem… Este é aquele que nos salva e liberta”!
         Ao presenciar o exibicionismo de certos cortejos, as alfaias tecidas a ouro, os capuzes episcopais nas ditas cabeças, quais peças de museu arcaico, depois os pingos de água benta nos ramos – como se a bênção dos homens fosse mais  poderosa que a bênção primeira do Deus Criador – outra constatação não nos acode senão a de que todos estes rituais estão desajustados, adulterados, manipulados para ostentação dos tais magnatas da velha e caduca Jerusalém.
         Quem apoia a personalidade e o poder do Povo? Quem o levanta? Quem escuta a sua voz, a sua angústia e, nalguns casos, a sua justa revolta?... E quem apela à sua mobilização? Quem levanta o grito libertador?... Hoje, felizmente uma voz  retumbou em todo o planeta. Foi a palavra de ordem do Papa Francisco, neste Dia da Juventude: “Jovens, Gritai”!
         Hoje é o dia em que o próprio Jesus de Nazaré apoiou, integrou e abençoou o verdadeiro Poder Popular. Se não fosse o Povo que rompeu, corajosos, para o centro da cidade, Ele teria sido assassinado naquela hora.
A partir do Domingo de Ramos, merecem aplausos e estão sublimadas,  divinizadas todas as manifestações da história humana em prol das Causas Justas, como as mais recentes nos EUA contra as armas. Como contra a violência doméstica. Contra a fome. Pelo salário justo, pela saúde, pela vida. Porque essas são as Causas do Nazareno, sempre vivo!
Palmas maiores ao “Domingo de Palmas”!
25.Mar.18
Martins Júnior       

sexta-feira, 23 de março de 2018

“REQUIEM” PELO ‘SUDÃO’ E APOTEOSE DA NATUREZA !


                                                  
Quem diria que num monstro disforme da selva iria eu encontrar a beleza de um poema e o mistério genesíaco da vida e morte do Universo! Porque era meu impulso primeiro escrever a mais emotiva e profunda apoteose da Natureza, quando me trouxeram a notícia: “Morreu no Quénia o último rinoceronte branco-do-norte macho, de nome ‘Sudão’ (país onde nasceu) e, com ele, morreu toda a sua subespécie”.  Tinha 45 anos e estava guardado sob escolta, ao abrigo dos caçadores furtivos. “Era o embaixador dos rinocerontes e um alerta vivo contra os predadores de outra subespécie de rinocerontes. Era gentil e nunca revelou sinal algum de agressividade”. A notícia mais informa: estão no planeta há 26 milhões de anos e em meados do séc.XIX eram cerca de um milhão em África. Quando ‘Sudão’ nasceu, em 1973, a população da sua subespécie cifrava-se nos 700 indivíduos. E anteontem caía a bomba letal: “Nunca mais no mundo haverá outro rinoceronte branco do norte”. Razão: porque ‘Sudão’ não deixou nenhum herdeiro-macho, apenas duas ‘filhas’ – Najin, de 28 anos e Fatu, de 17.
Requiem, a finados dobrados, por uma ‘tragédia’, a que poucos humanos dão cuidado!
Oh, o turbilhão de incógnitas e vulcões ancestrais que o gigante caído no chão me atravessa nestes dias! Desde o regresso aos primórdios da Criação e à Origem das Espécies” de Charles Darwin, até à evolução da vida e à sua extinção, todo o mistério da existência, como epifenómeno orgânico de todo o ser vivo – e, daí, de todo o composto psicossomático que nos define – tudo isso perpassa diante de mim, E então, a toada fúnebre do Requiem explode num Cântico de Alvoroço à Natureza.
O poder e a força da Natura!...    
O homem, a ciência, os robots, os foguetões e os satélites, a inteligência artificial -  onde páram e onde se escondem? Não poderão eles substituir-se ao velho ‘Sudão’ e  fabricar o esperma do rinoceronte branco e injectá-lo nas duas fêmeas que lhe foram oferecidas nas paisagens do Quénia? Oh, a fragilidade do Homo Sapiens e a omnipotência da Mãe Natureza! Apraz-me repetir o nosso épico: “ Vejam os sábios na Escritura que segredos são estes da Natura” (Canto V, 16-25). Penetrando no mais íntimo desta aventurosa viagem, faltaria perguntar se alguma força divina ou mensageiro supra-lunar seriam capazes de fazer o milagre da ressurreição da subespécie ‘Sudão’?...
Nem os humanos nem os sobrehumanos, nem os terrestres nem os celestes têm  procuração bastante da Natureza para reerguer um só exemplar dos milhões e biliões de rinocerontes que foram donos do planeta!
Vou mais adiante e sigo as pisadas de Stephen Hawcking (o genial astrofísico que recentemente nos deixou) e perco-me na nebulosa onde ‘dormia’ o portentoso bosão, sémen primeiro de toda a evolução do universo. E acredito agora no monumental Jardim Zoológico Terrestre, povoado de míticas espécies, desde os dragões aos dinossauros, que a voragem dos tempos e a mão assassina do homem estrangularam para sempre!
Faço uma pausa e não prossigo mais,  talvez por falta de coragem de confrontar-me com outras e mais agitadas incógnitas a que o tema conduz. Deixem-me glosar o mote desta noite, com este desafio: E se, um dia, ao homem branco, europeu, asiático, africano, americano, acontecesse o que sucedeu ao rinoceronte sudanês?... Com os atentados à ecologia, a saturação da terra explorada, as armas químicas, as guerras nucleares, até quando estará por aqui o “rei da criação”? Até quando o homem deixar-se-á sobreviver?...
Oh monstro pré-histórico, pacífico adamastor da selva, mesmo tombado no chão, ainda nos mandas, impotente e gentil, recados de mestre e mensagens eternas! Saibamos acolhê-las.

23.Mar.18
Martins Júnior     

quarta-feira, 21 de março de 2018

FOTOSSÍNTESE DA POESIA



No Dia da Árvore
No Dia  da Floresta
        O poeta não existe
E a Poesia não tem palavras

Basta-me ser o Guardador da Laurissilva

21.Mar.18
Martins Júnior

segunda-feira, 19 de março de 2018

“QUANDO PERDER É GANHAR” ! – MENSAGEM DE FREI BENTO DOMINGUES NO DIA DA VITÓRIA


                                                    
Cumpriu-se a história! Foi ontem na comunidade da Ribeira Seca.
Na data maior do  “Ano 33” – 18 de Março – as portas  abriram-se de par em par e, tal como em 1985, o sol voltou a encher o templo e os corações. Quem tem hoje 40 anos de idade pouco ou nada retém dessa época tumultuosa mas brilhante.  Os pais e os avós  foram transmitindo o facho histórico, misto de treva e luz, para as futuras gerações que ontem se reuniram em festiva comemoração.
Foi Bento Domingues, o teólogo, o missionário, o orador dominicano, quem lançou o pregão definidor do acontecimento. Por coincidência, ouviu-se proclamar ali, eloquentemente, a mensagem que o próprio escreveu nesse mesmo dia na sua crónica semanal do jornal “Público”,  plenamente identificada com o momento: “QUANDO PERDER É GANHAR”.
                                                      

Juntaram-se-lhe depoimentos de testemunhas participantes dos factos, ecoaram as canções da época, gravadas no CD “A Igreja é do Povo e o Povo é Deus” – o nosso código teológico – e uma onda de júbilo espiritual encheu toda a  manhã. Porque valeu a pena – e pequena não foi a alma – “de passar além da dor e do Bojador”. Porque das pancadas sofridas enrijeceu-se o tronco da personalidade colectiva da comunidade. Ali, mais uma vez, cumpriu-se o mandato milenar: “O Povo É Quem Mais Ordena”.
Não seria completa a marcha da vitória se ontem não estivesse connosco o Pe. Mário Tavares Figueira, o corajoso intérprete da liberdade do Evangelho, colaborador intemerato da nossa causa. Ele estará presente – para sempre! – nas pedras do adro e na alma das nossas gentes.
Enquanto nos despedimos do “Ano 33”, acompanham-nos a música e os versos que os nossos poetas  compuseram então:

É Dia de Acção de Graças
Assim podemos dizer
Em o Povo estar em festa
Depois de tanto sofrer

O nosso Povo estremece
Cheio de felicidade
Por sermos os lutadores
Pelo direito à Verdade”
  
19.Mar.18
Martins Júnior