quinta-feira, 7 de julho de 2022

PERDÃO, SENHOR, POR TER-TE CONSIDERADO SURDO, DORMINHOCO, INSENSÍVEL, ALZHEIMER…

                                                                                     


Serão derivas de um retiro, cansaço místico  talvez, seja o que for, mas o melhor de tudo é a introspecção para nos ouvirmos a nós próprio e pormos em hasta crítica o que vemos, dizemos e fazemos.

Dei-me de contas da minha (nossa)  pesporrência e atrevido desplante em pretender chamar Deus à atenção, acordá-lo do seu ‘sono primeiro’, puxar-lhe pelos ouvidos e até acusá-lo de alzheimer profundo.

Ouvi-nos Senhor… Escutai-nos, Senhor… Atendei-nos…

            Quantas milhentas vivas e quantos milhares ‘Ouvi-nos, escutai-nos !!!

            Estará Deus em como induzido, em crise de sensibilidade embotada, tremendamente distraído ou em desgarrado alzheimer?

            Ele, o Senhor, Omnipresente, Omnipotente, Ubíquo e Eterno, “no qual não há sombra de vicissitude”!

            Afinal, surdos e distraídos, dorminhocos e broncos somos nós. Por isso, digo como o réu que se acusa:

“Para que, Senhor, pedindo que escuteis o que Vos dizemos – antes sejamos capazes e prontos para ouvir o que nos dizeis”!

 

07.Jul.22

            Martins Júnior

terça-feira, 5 de julho de 2022

…”NASCES SELVAGEM… NÃO ÉS DE NINGUÉM”…

                                                                            


Ao abrir o verão, quem resiste ao turbilhão imparável que rodeia de sonoridades  toda a Ilha, tão pleno e diverso como as ondas atlânticas à nossa beira?...  De todas, porém, desde 1990 ficou-me a canção de todos os dias e todas as horas, uma criação talentosa de Miguel Ângelo e Fernando Cunha, perpetuada pelos “Delfins” e pelos “Resistência”.

         Trago-a hoje para ilustrar um pensamento maduro, de raízes genéticas incontornáveis, uma cosmovidência inata e pura, mas que, como já antevia Jean Jacques Rousseau, a “sociedade corrompeu”, anestesiou e engoliu na voragem dos poderes instituídos. Enquanto assim a interpreto, outros olharão a mesma canção como um incontrolado revivalismo do “Maio-68” ou um apelo aos movimentos anarquistas, tendentes a soluções niilistas, destruidoras…

         QUANDO ALGUÉM NASCE…

          Gosto de ouvir a melodia, forte e austera, mas muito mais me delicio com a letra. Porque ela é um grito emergente da força telúrica a que pertencemos. É uma afirmação do maior bem que assiste a quem vem a este mundo: a sua personalidade ímpar, intransmissível e, ainda maior, a liberdade de a exprimir, sem recorrer à trituradora institucionalização dos poderosos, sejam eles clubes, partidos políticos, etnias, sexos, facções ou religiões. “NÃO ÉS DE NINGUÉM” constitui um  decisivo ‘xeque-mate’ aos rasteiros instintos gregários, aos favoritismos, amiguismos, nacionalismos, racismos, enfim à massificação colectiva de que enferma cada vez mais a sociedade contemporânea.

         Não se trata de um regresso à barbárie da selva nem muito menos à denegação dos valores construtivos do associativismo saudável em ordem ao bem comum.  “SELVAGEM” aqui ganha uma força semântica inigualável, querendo significar o que de mais puro e belo regurgita dentro de cada um de nós, em tudo contrário a uma sociedade – essa, sim,  cruenta e selvagem! - que arrebanha os mais fortes contra os mais fracos, os da manada, os do club, os do partido ou religião contra os que trabalham e cantam por conta própria.

         A quem me acompanha nestas lides bloguistas, deixo campo aberto para sinalizar indícios, casos consumados, por vezes assassinatos de personalidades, de talentos, de funções, empregos, cargos públicos e privados, onde se afunda a qualidade e se premeia a mediocridade.  Onde se entroniza a instituição e se anula o indivíduo! Estranha vertigem esta dos humanos para a institucionalização, gosto bizarro de serem institucionalizados!

         Da minha parte, propus-me continuar hoje a reflexão de anteontem, em que o Mestre da Galileia dizia que a bênção da paz não advém do funcionário institucional que a administra, mas da predisposição do destinatário e do exercício que dela faz, mesmo antes de a receber. (Luc.10,6). O culto genesíaco do indivíduo versus idolatria da máquina que o deforma e desumaniza!

         Embora pareça contraditório, enquanto vou ouvindo os “Delfins” formulo o voto de que os “Bons Selvagens” de todo o mundo se unam e penetrem nos simpósios internacionais, nas embaixadas imperialistas, nos paraísos fiscais, nos parlamentos, nos templos e façam-lhes a desinfestação urgente, Vós (seja qual a vossa idade)  que eu considero os precursores de um Mundo Novo!

         E se ele não se ofender, direi que actualmente  o Papa Francisco é um desses precursores, dos tais “Bons Selvagens, puro sangue, bandeirantes de uma Nova Ordem Mundial!  Bem haja e Melhor viva!

   

         05.Jul.22

         Martins Júnior

domingo, 3 de julho de 2022

GUERRA E PAZ NINGUÉM TAS DÁ, NINGUÉM AS TRAZ – SÓ TU !

                                                                               


Antes que o dia acabe e esmoreça o sol do primeiro domingo de Julho estival, quero ficar inebriado no clarão libertador que me advém daquele pré-aviso inscrito no texto do LIVRO, cujo excerto foi hoje divulgado urbi et orbi: “Se na tua casa houver gente de paz, a paz que te desejam ficará contigo e com a tua gente. Mas se não houver, a paz não entra, será devolvida à procedência”.

         É esta a tradução possível e inteligível das palavras do Mestre da Galileia aos 72 simpatizantes e militantes da sua Causa, as quais ficaram gravadas no testemunho de Lucas (10, 5-6). Em termos concretos, a saudação (voto ou bênção) que eles deviam lançar logo à entrada das casas só sortiria efeito se os residentes tivessem predisposição e guarida para usufruir de tão precioso activo dentro das quatro paredes da habitação. De contrário, o dom da Paz recusar-se-ia a transpor a soleira da porta, por mais votos pios, bênçãos e ladainhas que os discípulos encenassem publicamente.

         Chamo a isto “clarão libertador”, pleno de força anímica capaz de ‘transportar montanhas’, dissipar trevas interiores, vencer dependências exteriores, complexos e depressões. É deste fulgor psicológico que o mundo mais precisa, que nós todos precisamos. É fora de dúvida que nos torvelinhos, os mais emaranhados, de que é feito o quotidiano das gentes, proliferam as fugas, os refúgios, as boias líquidas presas por arames e, sobretudo, os modernos curandeiros, os magos feirantes que, em vez de libertarem as vítimas, ainda mais as sobrecarregam com o fardo angustiante das dependências de corpo e espírito. Nesses ‘oratórios’ ardilosamente programados, incluem-se as religiões. Está à mão de semear, direi mesmo de ensurdecer e ensandecer, o assédio excitante, de uma demagogia esventrada, para seduzir os incautos, os mais frágeis. É vê-los, os pregadores populistas acenar com receitas miraculosas, espasmódicas, adocicadas com citações bíblicas descontextualizadas. Ouros, com o delírio das velas, das procissões espectaculares, outros com águas-bentas e óleos ‘hebraicos’ da Quinta-Feira Santa… Outros ainda com  o Espírito Santo em bandeirinhas de seda-chita… Não há quem ponha cobro a esta alucinação colectiva?!... Não há quem restitua à pessoa a sua identidade holística, a visibilidade sustentável da sua condição, o auto-conhecimento das suas limitações mas também  do seu empoderamento perante as adversidades?!..

          Sendo certo que todas as sociedades precisam de sinais visíveis como significantes (mas não produtores exclusivos) de realidades invisíveis, não deveríamos ficar suspensos da pseudo-eficácia da nomenclatura teológica “ex opere operato”, isto é, que tudo depende do gesto automático ou que, por outras palavras, a função cria o órgão. Sem pretender censurar ou ofender os fanáticos das liturgias fabricadas pelos humanos, afigura-se-me deplorável que haja quem tenha mais fé na água benta do que no próprio Deus que habita no coração e na casa onde vive. Há quem tenha mais fé na vela acesa do que em Maria, Mãe de Jesus… Já o citei várias vezes: O Papa Francisco advertiu em Fátima: “Não façam dela uma Senhora que faz favores a baixo preço”. Apenas, digo eu, pelo módico preço de um círio…

         Só receberás a paz e a bênção se as tiveres já dentro de ti”!  

          A `Águia de Hipona’, Teólogo e Doutor da Igreja, desde o século V vem dizendo àqueles que procuram Deus no seu percurso iniciático: “Tu nunca me procurarias se já não me tivesses encontrado”.

Dentro de ti, a meta e o caminho!

 

         03.Jul.22

Martins Júnior

sexta-feira, 1 de julho de 2022

FIÉIS ÀS ORIGENS, FIRMES NAS RAÍZES

                                                                       


Enquanto os novos donatários das Ilhas prendem-se a um passado inexistente, as gentes de Machico, “Herdeiros de Tristão Vaz Teixeira”, mantêm-se fiéis ao “2 de Julho” e assumem-se como sentinelas  - vigilantes e activas -  dos dias de amanhã.

E cantam no mesmo Cais do Desembarcadouro a estrofe universal:

               

“SOU DE MACHICO SOU

                DE PORTUGAL TAMBÉM

                O QUE É PRECISO É AMAR

                E A TODOS QUERER BEM”

 

         2.Jul,22, Dia do Achamento da Ilha, em Machico, 1419

         Martins Júnior

quarta-feira, 29 de junho de 2022

VARIAÇÕES ATÍPICAS EM CIMA DE SÃO PEDRO

                                                                             


         Não é por fuga aos ‘Arenas’ de topo mundial que me refugio na pequena toca de Pedro, o Pescador. Abandono hoje as empolgantes paradas da NATO e os mergulhos fulminantes da Conferência Internacional dos Mares que enchem os tabloides das emoções gregárias. Optei pelo senso comum dos calendários para ficar sentado ao lado do São Pedro, no seu dia aniversário.

         Pus-me a olhar os seus semblantes – há um ror deles por tudo quanto é canto – e fiquei-me em três silhuetas mais contrastantes, que passo a partilhar amistosamente com quem costuma acompanhar-me.

O primeiro é o São Pedro dos arraiais, das marchas e das espetadas, do vinho e da carne da vinha d’alhos. Foguetes, umas novenas-sangrias em honra mais de Baco que de Pedro, sardinhas serôdias, chouriços e tudo o mais – tudo em louvor do Santo da Galileia.

O segundo é o de Saint Petersburg, fundada em 1703 por Pedro, o Grande Czar inspirador do Império Russo. Ninguém maior que ele, inclusive o do seu Santo, Orago da cidade capital. Em um acto de expiação vestiu-se de foice e martelo e passou a chamar-se Leningrado, sol de pouca dura, porque voltou ao cordão umbilical da czarina e recuperou o apelido inicial de Saint Petersburg, desconhecendo-se se é provisório ou definitivo.

O terceiro desta série – e o maior até agora – é o São Pedro do Vaticano, em Roma, cujos aposentos rivalizam com todo os ‘capitólios’ monárquicos imperiais das grandes nações. Ao contrário do Pedro Czar, que sucumbiu, o Pedro Romano foi o único que conseguiu sobreviver aos tempos e contratempos de 20 séculos ininterruptos. Atravessou, entre soluços e sangue, 300 anos de perseguição feroz, depois passou de perseguido a perseguidor, ergueu tronos e palácios, arvorou-se em Estado, instalou poderes sacro-políticos em todo o mundo pelos diplomatas, núncios da Santa Sé, criou um novo império monopolista e centralizador, como nenhum outro monarca conseguira.

Desafio quem me lê a sinalizar semelhanças e diferenças entre os três módulos petrinos e qual deles se aproxima do original. Se o Pedro das barracas de comes-e-bebes, se o Pedro Czar Imperialista Russo, se o Pedro Vaticanista, Auto-proclamado Sucessor do Apóstolo?!

         Falta, porém, apresentar o original: o homem do mar, pobre, ancorado no Lago de Tiberíades, sincero, generoso, capaz de dar a vida pelo Mestre mas, no mesmo corpo, capaz de negá-lo, com medo de ser apanhado pelos judeus naquela noite de Quinta para Sexta-feira. Frágil, como qualquer um de nós. Apesar de tudo, líder de um grupo de doze homens (menos um) que deixaram tudo para seguir incondicionalmente um seu conterrâneo que nada tinha para lhes remunerar, nem sequer “uma pedra onde reclinar a cabeça”.

         Ó Pedro, Pedro – o que fizeram de ti?!...

Quantas fotocópias passadas, repassadas, caiadas, rebocadas! E outras, as falsificadas: com tiaras de Ofir, caldas de ouro reluzente a escorrer da cabeça aos pés, saias escarlatinas que ao longo de séculos esconderam Magnatas do dinheiro e ‘Borgia’s incestuosos!... E todos Sucessores teus!!!

Ai, Pedro Pescador do Mar da Galileia, espera por mim mais um pouco. Deixa-me entrar na tua canoa, mesmo afrontando nortadas e vendavais, sempre é mais pura e segura que as sumptuosas instituições que o mundo ergueu em cima do teu cadáver!

 

29.Jun.22

Martins Júnior

segunda-feira, 27 de junho de 2022

“OH TÁLASSA, OH TÁLASSA” !!! – “PARA QUE SEJAS SEMPRE NOSSO, OH MAR !!!

                                                                                     


 

Ecoa ainda nos umbrais dos tempos o grito helénico, de espanto e euforia, diante do mar – Oh Tálassa, Oh Tálassa – entronizada a deusa emersa do Mar Mediterrâneo!

A mesma exaltação quase mítica parece invadir o planeta e dinamizar os humanos à procura do Mar, muito antes navegado. Prova-o a  que hoje se inicia em Lisboa. Dir-se-ia que é um outro mar – um mar de gente – a tomar conta do vasto Oceano: 7000 personalidades, 142 países, 17 chefes de Estado, 11 chefes de Governo, 113 ministros, 38 agências especializadas, 1178 organizações não-governamentais, 410 empresas, 154 universidades,  cientistas, observadores, jornalistas. No topo da grande pirâmide, o Secretário Geral da ONU, António Guterres. Comparado a outros magnos acontecimentos simultâneos, com chancela mundial,  desde a reunião dos G7 ao poderoso simpósio da NATO, esta Cimeira do Mar será talvez o fenómeno mais puro, mais ambicioso e mais determinativo em termos do futuro da humanidade inquilina das terras e dos mares.

Se a todo o português deveria ser motivo de curiosidade e preocupação, a um ilhéu – nado e criado neste Atlântico, berço azul líquido da Ilha – deveria sê-lo muito mais. Olhar o mar, interrogá-lo, ouvi-lo, desejá-lo, amá-lo e respeitá-lo! Por todos estes pressupostos lógicos, não poderia eu ficar indiferente a tão eloquente alarme ocorrido no nosso país.

É de um verdadeiro alarme que se trata. Antes que os ‘piratas da Terra’ se voltem para o Mar para raptá-lo e secá-lo na delapidação dos seus fundos, impõe-se uma reflexão séria para não deixar sair das docas as corvetas dos novos corsários, interessados apenas no lucro fácil.

Tem sido essa a preocupação dos oceanógrafos, dos estrategas do progresso e de muitos políticos preocupados com os ecossistemas planetários. Recordo-me da Conferência Internacional sobre os Oceanos  realizada na capital portuguesa em 1994, na qual tive a honra de participar,  a convite do então Presidente da República, Dr. Mário Soares. Ainda persistem dentro de mim os apelos feitos por -  e para - altos responsáveis do mundo que ali se encontravam. Alma dinamizadora deste encontro histórico foi o Dr. Mário Ruivo, personalidade ímpar como cientista, antropólogo, investigador, líder pragmático em missões da ONU e da UNESCU, cujos trabalhos e propostas estarão sobre a mesa deste congresso, durante os cinco dias da sua realização. A  gravura em epígrafe traduz um dos momentos marcantes do Encontro, com Mário Soares e Mário Ruivo, lado-a-lado.

Evoco propositadamente a Conferência Internacional de 1994 para assinalar a inércia e, mais grave, a indiferença dos magnatas mundiais (e dos aprendizes regionais e locais) da finança e da governança face às conclusões então aprovadas. Neste elenco deprimível e deprimido, estamos também nós, madeirenses, ao permitirmos que se tenha feito do nosso litoral um vazador de terras ‘oficiais’, descargas de betão desnecessário e poluidor, a pretexto da engenhosa rubrica obras públicas e consequente destruição da fauna e flora costeiras, interdição de acesso às praias livres que antes pertenciam a toda a população.

Para que ao imenso mundo oceânico possamos continuar a chamar o glorioso Mare Nostrum, façamos a nossa parte, fiquemos atentos à generosa enciclopédia dos mares que a presente Cimeira nos traz a esta estância “onde a terra acaba e o mar começa” – e, por consequência territorial, também   a esta rugosa Ninfa do Atlântico, a Ilha dos Amores, “que do muito arvoredo assim se chama”.

Depende de nós que a almejada “Economia Azul” não torne  mais negro o mar que nos rodeia e nos ondeia!

 

27.Jun.22

Martins Júnior

 

sábado, 25 de junho de 2022

UMA REPORTAGEM DE HÁ VINTE SÉCULOS

                                                                


Eles foram em bando à cidade alheia preparar tudo para a entrada do líder, que ali chegaria, de passagem para a capital do reino. Eles eram uma espécie de militantes operacionais idênticos aos que nos partidos ou religiões encarregam-se das questões logísticas afim de que o evento resulte em sucesso. Mas levaram uma nega, uma grande nega. O povo não quis recebê-los – nem a eles, muito menos ao líder. Voltaram derrotados à sede do movimento nascente e, perante o líder carismático, não esconderam a indignação, a raiva canina que traziam no peito. E atiraram a matar: “Mestre, vamos lá sem demora, já,  pegar lume a essa cidade e a toda essa gente”!

         O resto da reportagem vem no capítulo do LIVRO de Lucas, 9, 51-62.

         Mas esta é a reportagem de todos os tempos e de todos os lugares em litígio. À moda antiga, à flor da pele, mesmo a mais empedernida: ‘Olho por olho, dente por dente”. Nas famílias, nas ruas, nas fronteiras, nos impérios, nos parlamentos, nos conflitos rácicos, nas religiões, mesmo que escondam as escaramuças menores, aí estão as fogueiras e as torturas da ‘Santa Inquisição’ que não deixam dúvidas. É o grande dilema das guerras actuais: armamento contra armamento – ou rendição ao furibundo terror do mais forte?...

         Sendo certo que o dilema, só por sê-lo, desemboca em múltiplas soluções, mesmo as mais contraditórias, o Mestre Nazareno, o Líder dos Doze, ‘chumbou’ a proposta vindicativa e, como de outras vezes, optou pela tolerância. E mais: propôs o seu testemunho existencial, anunciando os trâmites da sua luta até ao assassinato na cruz. Advertiu, também, que quem quisesse ser seu militante, tinha de fazer a opção pela exigência total e doação inteira à sua causa. Sem ‘negociar’, sem tergiversar.

         A vida e a história estão cheias destes paradoxos:

QUANTO MAIS TRANSIGENTE CONSIGO PRÓPRIO, MAIS INTRANSIGENTE COM OS OUTROS.

QUANTO MAIS EXIGENTE CONSIGO PRÓPRIO, MAIS TOLERANTE COM OS OUTROS.    

A tolerância é o fruto amadurecido de uma análise corajosa da psicologia humana. Das sociedades, das famílias, de todos os agregados populacionais. E para alcança-la, é longo e pedregoso o caminho.

 

         25.Jun.22

Martins Júnior