quarta-feira, 9 de março de 2022

MAR DO NORTE RUMA AO MAR NEGRO – INTERMITENCIAS DE UM RETIRO

                                                    




Toda a noite

Cavo infrene o vento norte

Varreu a fundura dos mares

E o esquadrão em fúria bateu à minha porta

Afoga-me um grito arrasta-me um silêncio

Pés e mãos estalam entre os calhaus

Que vão e vêm

Por mais noites repetidas

Por mais dias renascidos

Não dá trégua o mar do norte

Sempre é ele o vencedor entre vencidos

 

Esse furor e essa insânia

Toda a noite a ribombar

Levam-me às portas da Ucrânia

Estrondos  terra mar e ar

 



Vira a proa ruma a Leste

Abala tanques e monstros

Cobre de azul o Mar Negro

E no pranto frio da Crimeia

Abre o dia de um sol de ouro

Seja toda a noite Lua Cheia

 

Retiro em São Vicente, Madeira, 09.Mar.22

                 Martins Júnior

 

segunda-feira, 7 de março de 2022

VIGILIA PARA O “DIA DA MUILHER” UCRANIANA

                                                                        


Espada flamejante

Galopante dispersa-as em chama o exterminador

Expulsas do paraíso que é seu

Não têm chão delas para andar

Nem candeias nem altar

E as armas que trazem

Duas nos braços, a outra no ventre

Jazem caídas como gémeas sem retorno

A vigília de uma noite

É a noite de todas as vigílias

Até que  dos escombros que ficaram

Renasça plena e bela a estrela da manhã

 

7/8.Mar.22

Martins Júnior

 

sábado, 5 de março de 2022

AS TRÊS GUERRAS DA HISTÓRIA HUMANA

                                                                            


Luta fria… luta quente… luta financeira… luta ideológica… lutas de todos os nomes, de todas as armas, de todos os tons e de todas as cores!

            É neste estranho peritoneu que se move e agita o coração, os pulmões, enfim, o organismo deste nosso mundo, o planeta em que nós vivemos. Com que olhos e com que espécie de lentes observar-nos-ão os possíveis (e impossíveis) selenitas, marcianos, saturnianos, habitantes de outras constelações?!

            Luta é a palavra de ordem desta marcha que fazemos desde que nascemos até chegar a hora do descanso dos heróis – e somo-lo tantas vezes na vida. A nível biológico, do crescimento, a nível laboral e intelectual, somos todos mobilizados para essa campanha. Até mesmo no estádio religioso e da ascese, viver é lutar.

            Cumprindo o rumo de cada fim-de-semana, recorro ao LIVRO e deparo-me com um tríptico bem definido sobre a origem das guerras.  Neste teatro de guerra (insisto, de todas as guerras) o Nazareno, o Libertador dos povos, foi o alvo preferencial de todos os ataques. Foi Ele também quem nos deixou o melhor antídoto e o escudo indestrutível de todos os mísseis e incursões por terra, mar e ar.

            Para melhor facilidade de análise, remeto o conteúdo desta reflexão para o texto de “Lucas, 4, 1-13”, proposto para este Domingo. São as chamadas “Tentações do Deserto”.  Numa síntese perfeita, reduzem-se todas a três:

            Primeira, a guerra pelo pão (Podes transformar estas pedras em pão), não o pão necessário, mas o pão perdulário, a gula, a ganância do dinheiro,  a concupiscência,  a opulência do estômago daqueles “para quem deus é a barriga”, como classificou Paulo de Tarso.

            A segunda é o orgulho desmedido, a ambição da fama publicitária, o açambarcar toda a comunicação e redes sociais, o inchar “da rã que pretendia ser boi”: Atira-te deste pináculo abaixo, os anjos estão lá ao fundo para receber-te nos braços. Serás o maior!

            A terceira, o domínio territorial,  a  invasão,  a anexação, a posse total e absoluta, enfim, o poder absoluto: Vês o universo inteiro  à tua frente? Pois eu dou-te tudo isso, se te renderes a mim, aqui e agora.

            Olhando o tríptico bélico retro-descrito, é caso para perguntar: Não estarão aí compendiadas as fontes de todas as guerras? Percorrendo os campos de guerra de toda a história humana, do maior ao mais pequeno,  chegamos à dura conclusão que é neste monstro “trifácico” que convergem as raízes de todos os conflitos. O de agora, que opõe Putin ao povo ucraniano, aí está.

            O nosso Líder e Mestre Jesus de Nazaré venceu o tríplice duelo. Sem armas. Pelo pensamento e pela palavra. Embora esteja de pé o conhecido manual de um general do império romano, onde se lê – “Se queres a Paz, prepara-te para a guerra” -  mantenho que o pensamento e a palavra, as armas da luta ideológica, são muito mais eficazes e duradoras que todas as metralhas de guerra.

            É esta luta o cenário de guerra que nos oferece o Tempo designado por Quaresma, precisamente o que hoje se inicia. Primeiro, no interior, pessoal e responsável  e, depois, no exterior, sociológico e libertador.

            Por ele é que vamos!...   

            05.Mar.22

            Martins Júnior

quinta-feira, 3 de março de 2022

A GUERRA DOS ‘BELICÓLOGOS’, OS ESPECIALISTAS DE PÓLVORA SECA E CEGA

                                                                  


            É de guerra o pão de cada dia à nossa nessa.

Ao que chegámos, após vinte séculos de civilização cristã e ocidental, após as astronómicas viagens planetárias e os pulos gigantes da super-tecnologia !!!...

         Já nos queimam os capilares e já nos sobressaltam o sono os mísseis de todas as noites russo-ucranianas. Por isso é de outra guerra que vou ocupar este pacato espaço de comunicação. E muito ao de leve, pois a matéria daria para profundas e longas reflexões.

         Cognominei-os de ‘belicólogos’ - talvez um neologismo de circunstância – para significar uma determinada falange de artilheiros, cujas operações se resumem a ficar sentados na caserna, enquanto os pelotões andam no mato a combater. Os artilheiros-de-caserna ocupam~se seriamente a fazer a reportagem barata dos acontecimentos, a classificar os operacionais e os respectivos camuflados de guerra.

E se, por atávica sedimentação psicológica que trazem no subconsciente, vem ao de cima a apreciação deste ou daquele pelotão, aí as críticas sobem de estalo e confundem os termos e os conceitos, resultando tudo numa cega-rega de tiros de pólvora seca sem direcção ao alvo.

É o caso que me traz hoje aqui. Tenho-me deparado com alguns analistas de bancada que, movidos por uma velha mó anti-comunista, abanam-se, espalham-se, despedaçam~se a vociferar contra o comunismo, “vejam em que é que dá o comunismo, assassinos  é o que eles são”.

Ora, nunca saiu tão fora do alvo esta artilharia pesada. O actual regime russo e uma larga margem dos seus antecessores nada têm a ver com a essência do pensamento comunista. Putin representa a suprema traição aos ideais de justiça igualitária e justa distribuição da riqueza de um país, a começar pelos que a produzem, os trabalhadores dos diversos escalões profissionais. Putin está do avesso deste código de conduta, um sanguinário czar russo, disfarçado de militante soviético. ´Na sua corte têm assento directo e exclusivo os capitalistas dos off-shores, os oligarcas açambarcadores da riqueza que a todo o povo pertence. As sanções agora infligidas pelas instâncias internacionais são disso prova irrefragável. Quando se referirem a Putin, além do mais, chamem pelo seu sobrenome próprio: fascista, capitalista-mór, ditador amassado com o híbrido fermento Hitler-Estaline.

Da mesma forma, parem de tratar o povo russo como sósia de Putin. Só quem não sofreu sob a ditadura salazarista é que pode urdir semelhanças dessa pele e desse furor.  Os russos não estão com o tirano Putin. Só os oligarcas super-milionários.

Idêntica praxis se regista quando os anti-cristãos primários cerram fileiras contra o imperialismo Vaticano, apostrofando anátemas e fogueiras corrosivas contra o cristianismo. Desenganem-se. O Vaticano não é, nunca poderá ser o ex-libris do cristianismo. Afirmá-lo é o mesmo que confundir Jesus com Putin e Belém com o Capitólio. Nunca Jesus escolheria a cúpula vaticana para nascer nem nunca  esse palácio imperial seria a sua casa. Bem se esforça o actual Papa Francisco por regressar às origens, mas os oligarcas cardinalícios, a corte vermelha das Cúrias, não lho deixam. Foi por isso que Mahatma Gandhi exprimiu a contradição nestes termos: “Adoro Cristo, mas detesto os cristãos”. Basta abrir o LIVRO e fazer o paralelo entre o seu legado pobre e cristão e, ao lado, o empório do Vaticano,

Poderia, ainda, citar Maomé: “Levar alegria nem que seja a um só coração vale mais que construir mil templos e mil altares”. E que fazem os corifeus do Islão? A guerra, à qual têm ainda o desplante de chamar “santa”!

Dispenso-me também de comentar certos estilos de Autonomia cá dentro de portas. Quem sabe se não haverá por aí algum Putin(ho)  que, à pala da Autonomia, pretenda ou tenha pretendido instaurar uma ditadura “de botas cardadas”?!

Ao concluir este intervalo nos tumultos da Europa de leste, entro outra vez no pesadelo nocturno daquela gente heroica da Ucrânia. Até quando?...

“EU SOU UCRÂNIA, I AM UCRÂNIA, JE SUIS UCRÂNIA” !!!

03.Mar.22

Martins Júnior

   

        

terça-feira, 1 de março de 2022

EI-LAS QUE PARTEM… CENAS INVERSAS DA MESMA GUERRA!

                                                                         


 Para aqueles que, como eu, no século passado deixámos a nossa terra, rumo à guerra colonial portuguesa, não é possível olhar, de coração enxuto, as lancinantes cenas de despedida da Ucrânia: mulheres, mães, esposas, noivas, crianças, no abraço (será o último?) aos filhos, aos maridos, aos pais, aos homens que ficam em terra para defender a sua pátria dos ataques russos. Desta vez são elas que partem…

 

CAIS DE ALCÂNTARA-MAR (1961-1974)

 

De costas voltados para o velho ‘Niassa’

ei-los que partem… alguns para não mais voltar

enquanto o sol nascente enxuga as lágrimas delas

caídas de dor e luto nos camuflados

que cobrem aquela carne p’ra canhão lá long

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Hoje

Ei-las que partem… voltarão ou não!

A estrada a ferrovia o pânico não esperam mais

um derradeiro abraço um beijo amargo

selam o passaporte de dor e esperança

e apertam ao peito o indefeso escudo infante

que o amor lhes deu

 

Tremendo e desencontrado abalo os trai:

nelas vai o corpo mas não o coração

neles é o coração que sai

e o corpo fica

 

Tão diverso o golpe

e qual maior o grito:

se migrante forçada em alheio solo

se prisioneiro armado na própria pátria?

 


Ei-las que partem…

Mas quanto mais longe

maior a ponte de azul e ouro

que as une ao rio-coração de Kiev

por onde voltarão em glória

ao soberano trono da Vitória!   

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I AM UCRÂNIA !

JE SUIS UCRÂNIA !!

EU SOU UCRÂNIA !!!

  

01.Mar.22

Martins Júnior

 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

BISPO MISSIONÁRIO EM MADAGÁSCAR - IRMÃO E MESTRE NA MADEIRA

                                                                                 


        Está presentemente na Madeira, a sua ilha natal, Traz consigo notícias de longe, de muito longe e, mais que notícias, transborda-lhe o coração de vivências humano-cristãs, carregadas de sofrimento e esperança, como são sempre as mensagens de um peregrino missionário em terras por desbravar e fazer crescer.

         Neste Domingo esteve connosco, na Ribeira Seca, irmanado naquele convívio que une idades, mentalidades e gerações: o convívio eucarístico, desta vez marcado pela simplicidade paramental e pela transparência comunicacional. Da sua experiência pastoral em terras de Madagáscar, uma diocese de um milhão e meio de habitantes, abriu o alforge do seu ‘saber de experiência feito’, enriquecendo cultural e espiritualmente os participantes no acto litúrgico.

Por isso, dedico hoje a página do “Dia Ímpar” ao senhor Bispo José Alfredo Caires de Nóbrega, recortando alguns dos preciosos excertos da sua mensagem:

“Fazendo minhas as palavras do Evangelho de hoje – a boca fala daquilo que transborda o coração – vou falar-vos do que enche também o meu coração: a vida que vivo nas missões… A Igreja tem de saber testemunhar o Evangelho. Por vezes anda para a frente e para trás, quando o que deve é  fazer com que a Bíblia seja vida, como fazemos nas missões: viver com as pessoas, comer como elas comem (arroz três vezes ao dia, ou duas vezes ao dia), dormir por vezes no chão em cima de uma esteira, comer o que elas nos dão. Já me perguntaram como é que eu pregava a Palavra de Deus e o que é Evangelização, eu respondi que Evangelização não é tanto falar em Jesus Cristo ou fazer muitos sermões, mas sim em elevar as pessoas na sua dignidade... É no Homem que se vê Jesus Cristo.

Temos um trabalho muito directo com a população, muitos deles nunca tinham tido conhecimento do cristianismo, mas têm a sua fé, têm uma fé em Deus. E isto é muito importante.

Madagáscar é um país rico, eu estou numa região super-rica, mas de super-miséria. Onde há muita riqueza há também muita miséria… As crianças começam muito pequeninas a ir para as minas, descer aqueles buracos de 20/30 metros, é preciso insuflar sacos de ar para poderem respirar e depois trazem os baldes cheios de areia para peneirar e achar aquelas pepitas de ouro, que vão dar aqueles gramas de ouro, fios de ouro. Deficiências, sobretudo  no ensino, na saúde. E temos de desenvolver aí, na escola, nos centros de saúde, combater a malária. E até em projectos de agricultura. Tentámos introduzir novas culturas de legumes.  

Na minha diocese de 14.000 m2, temos mais de 800 catequistas que lá  não são bem, bem, catequistas: são os animadores da população que mantêm as comunidades enquanto o padre não vai lá - ou só vai uma vez por ano. Vivo à beira-mar, mas tenho de percorrer aldeias a 300 Km, onde não há transportes, levo dias e meses a andar a pé, usando por vezes os rios em barcos e pirogas.    

Tivemos agora um ciclone que nos destruiu 80% de terras, casas, até o próprio telhado da catedral. Enfim, vamos vivendo o Evangelho, fazendo Igreja, com as pessoas, procurando sempre elevar a sua dignidade.

Por fim, queridos paroquianos da Ribeira Seca, obrigado pelo vosso carinho, pela vossa amizade e muitos parabéns por esta data que hoje celebrais”.

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A data a que alude o Senhor Bispo Caires de Nóbrega refere-se ao 37º aniversário da ocupação da igreja da Ribeira Seca por 70 efectivos policiais, em 27 de Fevereiro de 1985. Não houve a habitual comemoração festiva em virtude dos tumultuosos acontecimentos na Ucrânia, mas tivemos a prestigiosa e reconfortante celebração do estimado antístite.

Mas não foram esquecidas as vítimas ucranianas, pois enquanto se procedia ao acto da Comunhão, no templo ecoavam as canções da Paz:

“O soldado vai à guerra

Vai fazer a tirania

Vai matar o seu irmão

Isso é contra a Eucaristia

Mas trazer a Paz ao Mundo

E criar um novo dia

Sem armas e sem fronteiras

Isso é que é Eucaristia

Refrão

Porque o Senhor ficou na Eucaristia

Pra dar a todos pão e alegria

Porque o Senhor habita em nossa terra

Gritamos NÃO à fome, NÃO à guerra

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  27.Fev.22

Martins Júnior

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

CONTRA A VELHA (DES)ORDEM MUNDIAL, MARCHAR, MARCHAR !!!

                                                                                 


Desde a Rússia e a Ucrânia até aqui basta o gesto de um clic. É connosco o que lá passa. Não obstante a info e a contra-informação, o fio da navalha passa nos nossos neurónios e no sono das nossas noites. Ninguém, por certo, ficará indiferente.

Por isso, daqui de longe (e tão perto) reajo ao tumulto ululante do urso das estepes russas face a todo o planeta, a partir das franjas ucranianas. Não entrarei nas especificidades técnico-militares da invasão – isso está bem patente nos muitos analistas da comunicação social – apenas fixar-me-ei sucintamente em dois tópicos com que a experiência milenar dos humanos conflitos marcou as guerras do futuro.

O primeiro repetiu-se, até à exaustão, com a corrida quase impetrante e contrita ao templo do Kremlin: peregrinos de boa-fé vindos dos EUA, da França, da Alemanha, do Reino Unido. Enfim, a montanha foi ter com Maomé. Para quê?... Para aquilo que hoje se vê. E para o mais que se há-de ver. Rebobinando o filme, tudo não passou de uma enorme frustração, pois estava tudo planeado, municiado, monitorizado ao milímetro. A história há-de registar o heróico esforço presencial (mas auto-flagelante, humilhante, hoje se vê) de todas as altas individualidades estrangeiras  junto de Moscovo na procura da paz, através do diálogo. Mas na mesma medida, do lado de Moscovo, há-de ficar perante todo o mundo a hipocrisia e o fedor de uma estratégia fraudulenta, indigna de seres pensantes, sociáveis e sensatos. Casos como este – e eles repetem-se a nível individual e colectivo – dão razão ao desespero do velho Jeremias, século V A.C., quando explodiu publicamente neste desabafo: “Maldito o homem que põe a sua confiança em  algum dos seus semelhantes”.

Quem disse que nunca invadiria a Ucrânia? Aquele que hoje a bombardeia, às portas de Kiev.

O segundo tópico, polarizador de toda a vida política entre nações, vem de muito longe e cifra-se no brocardo latino: “Si vis pacem, para bellum”: “Se queres a paz, prepara a guerra”. Ou: “Prepara-te para a guerra”.

 Ora, o que está a passar-se diante dos olhos de todo o mundo é a incapacidade da Ucrânia em opor-se ao arsenal bélico da Rússia, uma situação de impotência operacional, agravada pela interdição da intervenção da NATO, impedida, por isso, de penetrar em território ucraniano. Por sua vez a Europa não tem Forças Armadas credenciadas e suficientemente organizadas para entrar no teatro de guerra. Por muito que nos custe a aceitar – e a mim também – a história política, económico-social das nações, os conflitos institucionais, as agressões de toda a espécie, das mais artesanais às mais sofisticadas, tudo isso exige uma estrutura defensiva global, capaz de obstruir o livre trânsito dos malfeitores e açambarcadores, ditadores sem freio.

Foi Mário Soares quem defendeu a criação de um regime de Forças Armadas Europeias, iniciativa que na altura a muitos desagradou, mas  agora tem a sua plena actualidade. Melhor seria não fossem necessárias, melhor estaria o mundo se “todos déssemos uma oportunidade à Paz”. Mas isso é sonho de outro planeta, aquele que será o último a descobrir.

Não foi com estados de alma, com pias orações, com sorrisos nos olhinhos ou nas pestanas dos anjos que o Muro de Berlim caiu ao chão. Foi a acção esclarecida e o denodado esforço das pessoas que realizaram tão gigantesco feito. Paralelamente, aplaudem-se todas as movimentações de apoio à já massacrada Ucrânia, as restrições legais que por todo o mundo se têm registado, enfim, todas as tentativas de isolar a Rússia, não o seu povo mas os seus governantes.

Em 1977, Pierre Accoce escreveu um livro crítico – “Estes doentes que nos governam” – onde, entre outros, figuram Estaline e Hitler. Não estarei longe da verdade se pedir ao autor que inclua nesse elenco um acabado exemplar da híbrida promiscuidade genética desses dois doentes - Vladimir Putin.  Ao total descalabro da sua política destruidora tem o desplante de chamar “Uma Nova Ordem Mundial”.

Pois, contra essa Velha (Des)Ordem Mundial, marchar, marchar!

 

25.Fev.22

Martins Júnior