sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

QUAL É O TAMANHO DO TEU MENINO?


Com o rodopio das “missas-do-parto”, começa também o corre-corre dos presépios, cada qual a rivalizar com outro tal, sobretudo no figurino das imagens e, nestas, particularmente a do Menino. Grandes e pequenos, rechonchudos ou mal nutridos, olhinhos azuis, madeixas louras, ei-los na ribalta da ‘lapinha’, às vezes até puxando ao ridículo pela desproporção de cena.
Qual é o tamanho do teu Menino? Boa pergunta, dirão alguns, adivinhando e glosando a resposta antecipada. Lembrar-se-ão os meus colegas ‘blogers’ de ter escrito, a propósito do actual Papa: “Nasceu-nos um Menino…com 80 anos”. Hoje, por coincidência de contrastes, recebi um bem concebido postal de Boas-Festas do Padre Prof. Armando Rodrigues, de Aguada de Baixo, Aveiro, com a não menos original mensagem: ”Nasceu-nos um Gigante”. A ilustrá-la via-se uma imagem do Menino pequenino. Mimoso, profundo, exacto o pensamento deste meu amigo!
Porque este tempo de expectativa não o é de longas leituras, aí fica o convite para puxar a fita métrica e vá lá de medir o Menino, da cabeça aos pés. Mas há uma outra bitola, aquela que nos vem de um dos princípios gerais da filosofia.  Quidquid recipitur ad modum recipientes recipitur – tudo o que é recebido é à maneira do recipiente que é recebido, ou seja, toma a forma e o tamanho de quem o recebe. Belíssima síntese das emoções humanas!
Nesta interpretação, fica patente que para um gigante, o Menino adquire a altitude de um Gigante. Para um míope, curto de vista e mentalidade  - pior se for anão – o Menino não passa de um manequim raquítico, uma excrescência inócua, senão mesmo um atrapalho que dorme o ano todo na poeira do baú. É a mentalidade que forma ou deforma o protagonista do Natal, não o gesso, a porcelana, o barro, o pau de que é feito. A beleza do Menino está na cor dos teus olhos e não nas lantejoulas com que o cobres. Conheço um amigo não crente (confessa-se mesmo ateu) mas tem a melhor colecção que até hoje já vi de imagens do Cristo Crucificado. Que medida terão elas” Só aquela com que o meu amigo descrente as recebe.
Para muitos, o Menino nem sequer faz parte do Natal, tão absorvidos que estão com tudo o lhe é estranho, quantas vezes, contraditório. Começo amanhã, mais cautelosa e aprimoradamente, a medir a estatura do ‘meu’ Menino. E o teu, que tamanho terá?

15.Dez.17
Martins Júnior