quarta-feira, 1 de outubro de 2014

SAUDAÇÃO ÀS SETE AUTARQUIAS E SEUS CORAJOSOS AUTARCAS

Andou todo o Portugal debruçado sobre as Primárias no PS e seus reflexos  imediatos. E aqui na Madeira, poucos ter-se-ão lembrado, anteontem, ,do 1º aniversário sobre esse tsunami exaltante que foi a conquista de sete municípios ao monopólio hereditário do PSD/M. Nessa altura, escrevi a Saudação que agora transcrevo na íntegra, por considerá-la tão actual como no ano transacto. Para que os então eleitos nas  Assembleias, Câmaras e Juntas não esqueçam que os  três anos que faltam passarão mais fugazes que o primeiro e deles prestarão contas aos seus eleitores.

Aproveitarei, de futuro, este espaço para comunicar com os meus amigos e levar ao conhecimento público textos da minha autoria.


SAUDAÇÃO ÀS SETE AUTARQUIAS
E SEUS CORAJOSOS AUTARCAS



            Escrevo para vós, que sois jovens, na  idade e no ofício.
          Escrevo agora que iniciastes  um Dia Novo!        
         Na qualidade  de cidadão e  veterano de lutas antigas, de vitórias e derrotas que são as pedras da calçada de todo o lutador, quero fazer meu o abraço de toda a Madeira Jovem, que vós incarnastes, toda  vestida de alvorada, livre na  pele e no coração dos farrapos desse estigma  ---Madeira Velha, Madeira Nova --- que, durante quase quatro décadas,  intoxicou até à exaustão o corpo e a alma dos madeirenses. Envolvo também neste abraço outras gerações que, antes e depois de Abril, estiveram na vanguarda desse sonho, mas não tiveram a dita, como nós,  de vê-lo e senti-lo.
         Sois vós, Madeira Jovem, os promotores e ao mesmo tempo os procuradores desse direito intergeracional que é o de preparar o Arquipélago do Futuro onde quereis e tereis de viver.
         A conquista, ora alcançada, dos postos de comando e dos centros de decisão ultrapassa o 29 setembrista ou o quadriénio do mandato que vos foi confiado. Vai muito além e atinge o horizonte de uma outra vida, outra paisagem física, ambiental, humana. Numa palavra, o vosso mandato aponta para  uma Nova Ordem Regional.
         Por isso, mais que a derrota do velho regime, importa relevar e interiorizar a chama viva que o Povo vos confiou na maratona olímpica que agora começa. É preciso apagar o rasto viscoso que outros deixaram e, como diria Antero de Quental, “lançar o arco de uma nova ponte”.
         Vede, pois,  na cadeira do poder em que tomais assento, não o porto de chegada mas o cais da partida.
         O Setestrelo vitorioso do poder local na Madeira e Porto Santo não poderá trair quem primeiro o acendeu: os vossos constituintes, o Povo Eleitor. Como num grito do Ipiranga, fez-se a Primavera Madeira. Não a deixeis resvalar para uma qualquer  Primavera Árabe, seja nas candidaturas de Partido, seja nas candidaturas de Coligação, sabendo sempre que o vosso sucesso é o sucesso de toda a população, mesmo daquela que não votou na Mudança. E, da mesma forma, o vosso falhanço sê-lo-á o de toda a população , será o retorno aos muros da vergonha, da ditadura e do medo que acabais de derrubar.
         Estais agora sob os holofotes de toda a gente, milhares de olhares estão a contemplar-vos aqui, no Portugal Insular, no Portugal Continental e até no estrangeiro entre a diáspora madeirense que desejou e acompanhou ansiosamente esta vitória.
         Termino a minha saudação  com dois apelos, nascidos de muitos anos de veterania solidária:

         PRIMEIRO:
         Se é altíssima a soberania nacional e alta a autonomia regional, não menos alta e nobre é a autonomia do poder local. Este deverá ser sempre  o fio de prumo de todas as vossas decisões. Consegui-lo-eis instaurando, mais que a democracia representativa, uma outra maior, a democracia participativa, em que o Povo ocupe a centralidade na mesa das vossas decisões e no chão do vosso território.
           
            SEGUNDO:
         No mesmo tom da canção de Sérgio Godinho, que a toda a hora ouvia esta frase batida “hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”, assim também, desde o instante da tomada de posse, ressoe no vosso sentir e no vosso agir este pregão: “Lembra-te que hoje é o primeiro dia do resto do teu mandato”. Quatro anos passam-se mais depressa que a névoa da tarde. E o que é preciso é que,  ao fim deles,  renasça outra vez convosco a  manhã  da Primavera Madeira!
        
Machico,  1 de Outubro de 2013
Boa sorte e um abraço
Martins Júnior