terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MORRER OU RENASCER SOBRE UM VULCÃO


Ninguém, nem nenhum acontecimento, por mais sobredourado que se apresente --- seja a baixa do preço do petróleo, seja o triunfo de Ronaldo, seja mesmo a  corajosa visita de Francisco Papa ao continente asiático --- nada conseguirá anestesiar o estremeção do “11-Setembro francês”, em 7 de Janeiro, a que o Le Monde, na sua edição de hoje,  encimou com esta manchete: “Cétait Le 11-Janvier” (era, seria no 11 de Janeiro) , fatídico numerário que tem amortalhado a humanidade em vários países. Impossível ficar sossegado em cima deste vulcão de múltiplas crateras.
Mais do que vociferações contra a “guerra santa”, mais do que dentes afiados prontos a devorar, mais do que milhões de manifestantes, o momento é de reflexiva descoberta de todo o tipo de minas e granadas subtilmente armadilhadas --- e tantas vezes consentidas, provocadas por aqueles que as fabricam nos paiós das próprias nações que dirigem --- e que desfilaram garbosamente em Paris, numa prova de emoção gregária, ao ponto de um jornalista da casa ter gritado: ”Eu vos  vomito a vós que empunhais “Je suis Charlie”!
O CASO É SÉRIO DEMAIS!
Recuso-me à ingénua interpretação que o ataque ao “Hebdo” tenha sido  apenas um puro acto de fanático desagravo à religião muçulmana.  Confesso que a minha cabeça tem-se tornado, nestes dias, um traumático caldeirão de ideias, conceitos e preconceitos, que me levam a sorver tudo quanto os analistas locais, nacionais e estrangeiros vertem sobre tamanha tragédia, não só  pelo número das vítimas, mas sobretudo pelo síndroma que encerra esta operação tremendamente cirúrgica.
Cada um de nós, por acção, omissão ou indiferença, está metido num dos lados da barricada. É o que procurarei desvendar proximamente e a que o esclarecedor debate ontem realizado no programa televisivo “Prós  & Contras” lançou algumas pistas. Ou me engano, ou começa a desenhar-se sobre os escombros o parto de um outro mundo,  onde, entre  décadas ou séculos até, se descubra a nova terra construída na educação e no respeito universais.

13.Jan.2015

Martins Júnior