sábado, 29 de agosto de 2015

A ARMADA LUMINOSA DOS FACHOS DE MACHICO – Homenagem aos seus autores de ontem, de hoje e de amanhã


No princípio era a  lava
Sem rumo sem freio
Delírio marinho rasgava
O aquático seio
Da mátria-mária da criação primeira

Depois fez-se dinossauro vigilante
Guardador da fronteira
Da ilha

E o Povo seu
Maior feito fez que Prometeu
Roubou o lume novo
Não do Olimpo de Zeus
Mas das oceânicas magmas sem fundo

Voltou
Trazendo no porão
Tesouros e milagres
Mais que as caravelas
Do Infante de Sagres

Foram  de fogo virgem suas velas
De barbatanas vermelhas
O leme das naus
E de  cantantes  crepitantes  as centelhas
Com que o vento sul varou as quilhas
Até alcançar o dorso
Do dinossauro guardião das ilhas

Mãos rudes outrora já finadas
Sabendo a óleo bruto,  fumo, lama  e chama
Hoje mãos jovens e robustas
Ide correndo
“Per angustas ad augustas”
Compondo  sonata outra de Stravinsky
Que não do “Pássaro”
E sim  da nova, nocturna  e  alada
Armada de Fogo

 Jamais se quebrarão
 Os mastros altos  que a lua cheia
Viu e tocou nesta noite de Agosto

Mais doze  luas virão
E outras tantas marés:
Das cinzas caídas aos pés
Machico aceso, voltarás
Como a Fénix renascida
Da Filha de Tristão Vaz

29.Ago.2015
Martins Júnior

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Nesta noite, para nós, os veteranos, sempre memorável, não resisto ao apelo de outros tempos que sinto ecoar dentro de mim. São os versos que os poetas da Ribeira Seca fizeram, já lá vão quase 50 anos, os  quais tive o supremo gosto de musicar e o Grupo Folclórico de Machico quis incluir no seu reportório.
“Os fachos da nossa aldeia
Já vem dos nossos avós
Eles subiram aos montes
Agora subimos nós
         *
Os fachos na serra
Altos a brilhar
São a voz da terra
Que fala a cantar
 Cantigas de amor
Pão e vinho novo       
Bendito o Senhor
Pela voz do Povo”