domingo, 25 de novembro de 2018

REGIME POLÍTICO DA IGREJA CATÓLICA?... MONARQUIA, POIS CLARO!


                                                                   

         Os mais entendidos acrescentam: Monarquia Absoluta.
         Fundamentação jurídico-canónica: “O Senhor é Rei”. E hoje, domingo último do ano litúrgico é, precisamente, a grande Festa do Cristo-Rei! Por tudo quanto é santuário, igreja ou modestíssima capela ecoam hossanas “àquele que vem em nome do Senhor-Rei do Universo”
Como e porquê se instaurou o regime monárquico sob a égide do Rei-Cristo`?... Tudo começou desde os alvores da criação do mundo e, mais impressivamente, com o transgeracional mito do povo judeu: desejoso de libertar-se .dos povos opressores que o dominavam e lhe sufocavam a autonomia, os hebreus estruturaram o seu “corpus” doutrinal e constitucional na perspectiva da realeza perdida e da sua recuperação gloriosa na pessoa de um Messias, Rei Poderoso, que destronaria o regime colonial em que vivia o judaísmo e proclamaria um novo Reino  e um novo Rei, sucedâneos do período áureo de David e seu filho Salomão.
A partir de então, sobretudo no século IV,  marcado pelo imperador Constantino Magno, a Igreja adoptou, sem questionar, a primitiva matriz do judaísmo e, mais tarde, di Islamismo) (as três religiões do LIVRO (a Bíblia), arvorando na testa  e no estatuto de Cristo o magnificente título de Rei. E firmou trono imperial, Constituição e Práxis de um verdadeiro Reino, com palácio, exército, banca, tribunais, embaixadas, contabilidade fiscal de impostos, mordomias e, pasme-se, com um corpo policial de élite, denominado guarda suíça, ainda no activo, a qual o Papa Francisco ainda não conseguiu extinguir. Quanto aos titulares de cargos eclesiásticos, alinhou-os em príncipes (bispos e cardeais), embaixadores, monsenhores e subalternos, em tudo talhado à imagem e semelhança da hierarquia militar, desde general a “soldado raso”. Para que nada ficasse omisso, o legislador eclesiástico reservou títulos e comendas identitárias à classe episcopal, obrigando-os a antepor  ao nome de baptismo o chancela real de “DOM”. o mesmo título reservado aos reis.
A este propósito, seja-me permitido partilhar com os meus amigos,  uma ligeiro excerto da entrevista  que a agência “Ecclesia”  transmitiu hoje, domingo, pelas seis horas, via RDP, (como de resto faço sempre antes da minha primeira eucaristia das sete da manhã) . No programa, dois sacerdotes, Daniel e Rui (não sei se algum deles será o futuro inquilino do nosso Paço Episcopal) trocavam impressões sobre a sua ordenação episcopal que ocorreu hoje à tarde em Lisboa. O que vivamente mais me impressionou foi o tratamento que mutuamente se davam um ao outro: “Como disse o sr. D. Daniel, …”.  e o outro correspondia no mesmo tom: “Como disse o sr. D. Rui…”, num desenrolar de ideias e projectos, repetidamente salpicado de DOM para ti, DOM para mim, DOM para cá, DOM para lá. Quere-se dizer: ainda não eram bispos (sê-lo-iam à tarde) e já se deliciavam numa troca de mimos e galhardetes de acentuado pendor palaciano.  Desculpar-me-ão os reverendíssimos interlocutores, mas para os meus 80 anos de vida e 56 de padre, aquele ritual cheirava-me a velha neftalina fora-de-prazo…
E porquê fora-de-prazo?
Respondo com outro pergunta. Terão eles (e nós também) posto em causa o dilema  da verdadeira identidade do nosso, o histórico Rei-Cristo?... Alguma vez aceitou Ele que lhe chamassem Senhor DOM Jesus?... E quando é que a liturgia católica exigiu ou incluíu, relativamente ao seu Fundador, a nomenclatura Senhor DOM Cristo?... E então?... Por outras palavras: a qual tipologia real pertencia Jesus?
Deveria deixar a cada um de vós a merecida resposta. Mas, para encurtar tempo, ousarei dizer, sem prejuízo de contradita, que o Jesus-Rei diante de Pilatos nada tem a ver como a pompa imperial do Vaticano. Direi que o nosso Rei-Jesus não possuía palácio, nem banca,  nem guarda-costas, nem exército, nem embaixadas. Não era ditador, juntava-se aos pobres, amava os marginais, comia com os pecadores,  compreendia  até as prostitutas. Ele a si próprio se definiu diante de Pilatos: ”O meu Rino não é deste mundo… Eu sou Rei da Verdade”.  Na era em que vivemos, Francisco Papa incarna, como nunca antes se viu, a condição do autêntico Rei Cristo, “aquele que transporta consigo o cheiro das ovelhas”, como ele próprio afirmou. Por isso, os corvos da falácia rondam, rancorosos, à sua volta.
Se a Verdade liberta, também a Verdade mata. Porque os seus opositores matam quem a defende. Por isso, enquanto o monarca absoluto do figurino papal e seus sequazes sentam-se em tronos dourados, almofadados, o nosso Rei-Jesus tem por trono o cadafalso da cruz onde foi assassinado. Razão tinha Milenati  quando escreveu aquele precioso livro “O Vaticano contra Cristo”.
No Domingo de Cristo-Rei, que fecha o calendário religioso de 2017/2018, deixei aqui esta reflexão, como quem tem sede da água pura da Verdade, ainda que tenha de correr riscos emergentes nesse caminho pedregoso. Todos os dias peço licença para alistar-me como soldado militante do seu verdadeiro Reino!

25.Nov.18
Martins Júnior