Abrem-se as cancelas adventícias,
rangem os gonzos dos portões natalícios e logo se atraem, movidos por uma subterrânea
força centrípeta, amigos, colegas de trabalho, amaradas associativos em
esfuziante confraternização. Logo pelo meio junta-se a tecnologia feérica e
empresta à paisagem uma espécie de embriaguez luminosa descendo em cascata o
dorso das montanhas, cambaleando em ziguezagues virtuosos até estatelar-se no
chão das cidades. E se alguém perguntar quem faz anos, a resposta segue
imediata: É festa, é a Festa!
Mas há outras parcerias,
ocultas ao vulgo em trânsito, há outros repuxos iluminantes, invisíveis àqueles
que não ultrapassam a casca dos dias e o batente das horas. Mas, parecendo impossível, são essas parcerias
e esses jactos luminosos que penetram nos cérebros atentos e vigilantes, são
esses momentos que não se confinam ao Natal, mas enchem os dias, os meses e os
anos, a vida.
É precisamente ao prazer de um desses momentos que dedico a saudação deste dia. Dirigentes, professores e alunos da Escola Secundária de Machico (11º ano) reuniram-se para, sob o signo “Semana das Línguas”, surfar (passe o estrangeirismo) sobre o Natal e suas variantes. Os responsáveis pelo evento entenderam dar a palavra, prioritariamente, aos alunos, que formularam as perguntas que quiseram (atingindo o número recorde de 48) projectadas no ecrã do auditório. Embora convidado (o que gratamente registo) a proferir uma conferência, para a qual me preparei com gosto, vi-me ali na condição de aluno ou, com uma ponta de ironia, no estatuto de réu da causa e a ter de responder aos meritíssimos juízes, os alunos.
Devo dizer que apreciei a
versatilidade das questões, muitas delas marcadas pelo timbre de uma certa
ousadia/atrevimento, características louváveis da juventude e para cuja
liberdade interventiva contribuiu a não identificação do/da interpelante. Apreciei,
repito, o acervo das matérias `propostas e fiquei elucidado sobre os conteúdos mentais
e emocionais dos jovens que, não obstante o conceito medíocre que, na
generalidade, deles tem uma certa sociedade, eles são mais, positivamente muito
mais do que parecem. É intimamente
reconfortante para um adulto, neste caso, para um octogenário, verificar que no
ânimo destes jovens participantes há preocupações de saber a verdade, sem medos
nem preconceitos, sobre o mundo que os rodeia e no qual irão viver, sobre instituições supostamente intocáveis - como a
Igreja, o Sacerdócio, o culto, a Mulher.
Logicamente não poderei
desdobrar, num apertado ‘blog’, os diversos assuntos tratados e espero não ter
surpreendido ou “escandalizado” nem alunos nem professores, sendo certo que aos
jovens de hoje não nos é lícito dar “papas de maizena” ou pílulas sintéticas, anestesiantes. Com a devida vénia
e sem agredir anquilosados processos de desinformação no passado, é urgente
servir à juventude actual o prato suculento da Verdade, enfim, o GPS possível
das estradas do futuro, para que, ao menos em nossa legítima defesa, amanhã não
digam que os enganámos. Tomo aqui a palavra de ordem do Evangelho e dos seus
primeiros bandeirantes; “A Verdade vos liberta”!
Uma palavra de reiterada
simpatia aos alunos da mesma Escola e são também elementos da Tuna de Câmara de
Machico, pelo brilho que deram ao encontro com a execução de melodiosas canções
de Natal.
13.Dez.22
Martins Júnior
Sem comentários:
Enviar um comentário