sábado, 7 de março de 2015

NOITE E DIA DA MULHER/2015


       Acaso ou não, o certo é que o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, em 8 de Março de 1985, intercalou-se no mais aceso da luta da comunidade da Ribeira Seca, tendo sido as mulheres uma força decisiva na construção da vitória contra as hostes invasoras ao serviço do governo e da diocese. Aliás, é consabido que ao longo da história elas ocuparam a vanguarda de muitas lutas, sobretudo, nas zonas rurais e nas vilas piscatórias, visto que os homens constituíam a única fonte de rendimento capital para os seus agregados familiares, enquanto às mulheres ficava reservado o papel de mães, educadoras, programadoras dos trabalhos domésticos, estatuto este que lhes conferia  uma posição de charneira no plano colectivo das comunidades. Lembremo-nos, em Portugal, da chamada revolução da “Maria da Fonte” e da corajosa ceifeira alentejana Catarina Eufémia.
         Neste dia ímpar que estende o seu manto sobre todo o dia de amanhã, quero homenagear as mulheres todas do mundo e, com particular afecto as mulheres da Ribeira Seca, umas ainda vivas, outras já falecidas,  que afrontaram perigos e ameaças, processos e prisões, de que saíram vitoriosas nesta página, a um tempo dolorosa e gloriosa, da história desta comunidade. Ei-las a bordar, na foto, guardando a igreja que construíram. Isto aconteceu quando a organização bombista “FLAMA” ameaçava fazer explodir o referido templo,
         À MULHER UNIVERSAL E INTEMPORAL dedico este poema, onde pretendo radiografar o cenário claro-escuro e o sabor agridoce da condição feminina, não só na vertente Mulher-Mulher, mas também na sua transfiguração soberana esparsa nos três reinos da natureza: o animal, o vegetal e o mineral. Em tudo mora o feminino.    
  

DONA DOS TRÊS REINOS


Mulher-águia imperadora dos ares
Prendada e predadora
Mulher-leão sentinela de juba armada
Ciosa e devoradora
Mulher-víbora onde o abraço é um sufoco
E onde a noite se abre em branca aurora


Mulher-pétala perfume
E embondeiro bravo
Que umas vezes é terna sombra-mãe
Outras ruim ferro que sorve em lume
O verde que a terra tem


Mulher-água, mar e mária
Pauta stradivária
E promontório, magma,
Que tanto rebenta
Quanto sustém
Os fantasmas da tormenta

Mulher-Mulher
Contradição e oráculo
De enigmática Pitonisa
No teu seio-receptáculo
Da vida
Outros mundos dás ao mundo
Milagre eterno que faz
Teu ser de mãos frágeis  imperfeitas
Que é sempre mais o que dás
Que tudo quanto aceitas

Nos três reinos naturais
Há sempre
Um coração de mulher
Dona e patrona dos mortais
Ou pedra ou voo ou malmequer
Cobiçada fémina Fénix
Nome doce de Mulher


7/8.Março,2015

Martins Júnior