sábado, 25 de julho de 2015

AO NOSSO “COMODORO” FRANCISCO JOSÉ


Foi um encontro de amigos, sem protocolo nem guardanapo, como compete à “Malta do calhau”, mais vivida que fundada em jantar histórico de 24 de Julho de 1966. Cinquenta anos a navegar... De todos nos recordamos:  o  Comandante Afonso Coelho, sósia de Heminguay, muitos nautas que já lá foram, mas com maior emoção o nosso “Comodoro” Professor Francisco José, cuja esposa, filhos e netas, estiveram connosco na caldeirada de outrora do calhau de São Lázaro, Funchal, agora comemorada no Club Naval.  Deixo aqui reproduzida a saudação que então dediquei ao saudoso Francisco José, situando-o no seu habitat natural, acompanhado pelas muitas embarcações , sinalizadas em aspas no texto.



Onde houver uma nesga de azul marinho
Há sempre um marinheiro
E dentro dele um Comodoro
E onde  houver um veleiro
Ou bem perto ou mais distante
Há sempre um mareante
De coração-astrolábio
Lobo do mar,
Rude mas sábio
Em demanda de outra ilha mais além

Bem te assentam as dragonas
De brilhante Comodoro:
Trouxeste ao colo
Gerações de cadetes  apaixonados do mar
Foste pai e foste mãe dessa antiga juventude
Que contigo aprendeu
A viver em plenitude

Conheceste a força do “Tufão”
Andaste na crista do “Vendaval”
Mas  trazias a canção
De uma “Maré” matinal
Onde a “Brisa” e  a “Calma”
 Serenavam corpo e alma
De toda a tripulação

A bombordo e estibordo
Cruzaste “Maria Ângela”, “Simbad”  e “ Magalí”
 “Atlântida”, “Açor” e “Tainha”
Uns já longe, outros aqui.
Sentiste a aventura e o bisturi
Naquele velho Albatroz
Madre-nau e berço –mestre
De todos nós
E, por todos, abraçando
Viste dar à costa  gargalhadas mil
Da afonsina “Susangil”.

Partiste na linha do horizonte
E como o mar é redondo
Ficamos à tua espera
Esta homenagem compondo

E até chegar a derradeira viagem
Desta antiga marinhagem
Deixo aqui o nosso canto:
Seja qual o hemisfério onde navegas
No areal Porto Santo
Ou em Machico onde moro
Serás a eterna Guia “Andrómeda”
Alto e nobre Comodoro

E como a todos dizias
Puxa a escota, olha o leme,”Põe-te-a-Pau”
Recebe agora o abraço
Desta tua e nossa
“Malta do calhau”.

25.Jul.2015

Martins Júnior