sexta-feira, 25 de novembro de 2016

UMA PROPOSTA PARA QUEM TEM A CORAGEM DE INTERROGAR-SE

Que semana esta, tão grande e tão rica numa ilha tão pequena!
         A música, a poesia, o teatro, as artes plásticas caíram como chuva miudinha – a única que fica e faz crescer -  fecundaram generosamente o solo madeirense. Foi arte e foi beleza. E onde há beleza e arte aí germina o Espírito, na sua acepção maiúscula, radical e abrangente.
         A coroar este fim-de-mês e ao abrir do pano para a espiral mágica de Dezembro, a Madeira será visitada pelo bater de asas de alguém – não sei se lhe chame  mensageiro, arcanjo da Luz, embaixador da Verdade.  Ele vem trazer-nos o sopro vivificador que paira por sobre toda a actividade humana, o Espírito. Por outras palavras, ele será a cúpula envolvente de todo este esforço construtivo que, dia-a-dia, vão erguendo os ilhéus na sua terra.
         Refiro-me ao Prof. Dr. Pe. ANSELMO BORGES, o docente universitário, o filósofo, o teólogo, o companheiro solidário em toda esta marcha ascensional para o “Espírito feito carne”. Ele vem realizar o conceito, para nós tão caro, da continuidade territorial. O longo curso de viajeiro itinerante que tem feito em terras continentais na proclamação dos valores mais altos, vem estendê-lo a esta ilha, que também é Portugal. O seu novo livro tem suscitado a atenção de professores universitários, intelectuais e artistas, crentes, ateus e agnósticos que o têm apresentado e debatido desde Braga ao Porto, desde Coimbra a Lisboa, sempre com o nobre horizonte da procura do Espírito que ilumine as trevas ou a neblina em que navegamos sem terra à vista. Como bem observou  João Céu e Silva numa recente entrevista a Anselmo Borges para o “Diário de Notícias” de Lisboa, esta obra de corajosa pesquisa da Verdade resume-se, afinal, não a um receituário de respostas, mas um somatório de perguntas, as incógnitas com que se confronta a condição humana: “Quem somos, De onde viemos, Para onde vamos, O que é que nos espera?”. Na mesma direcção aponta Andrès Torres Queiruga, da Universidade de Santiago de Compostela, que define este livro como “uma ocasião propícia para leitores e leitoras se aproximarem de uma visão excepcionalmente lúcida sobre os graves problemas do nosso mundo”.
         Desta vez, o seu “cruzeiro” à Madeira – onde já esteve na mesma tarefa de apresentação de obras suas e de outros autores, entre os quais a de Naomi Wolf, “A Vagina”, uma apresentação altíssima, magistral e nobilitante, no Teatro Municipal “Baltazar Dias” – desta vez, dizia, começa pelo marco primeiro da Descoberta, Machico, no Solar do Ribeirinho, segunda-feira, 28, pelas 17,30 H. No dia seguinte, rumará a Funchal, mais precisamente à Sala do Senado da Universidade da Madeira, às 18 H.
         Mas o nosso Autor não é só o intelectual dos grandes areópagos do pensamento em Portugal e no estrangeiro. É, sobretudo, o Homem - sensível aos outros - é o Pastor humilde da celebração popular das periferias, como foi em Moçambique nos seus verdes anos e como o faz actualmente  numa modesta capela da Foz do Douro. E como sempre o demonstrou quando veio à ilha, fá-lo-á no domingo próximo, pelas 9,30 H, no templo da Ribeira Seca a cuja população chama carinhosamente “a minha comunidade”. É com renovada emoção que vamos recebê-lo e escutá-lo.
         Bem vindo até nós, Prof. Dr .Pe. ANSELMO BORGES, aceite o preito da nossa mais sentida gratidão!


         25.Nov.16
        Martins Júnior