domingo, 3 de junho de 2018

TODOS OS ANOS, UM CRAVO NA PONTA DA ARMA!


                                                  

Congressos, cimeiras, simpósios, eles por aí grassam a granel: regionais, nacionais, intercontinentais. Requintadamente servidos de câmaras, holofotes e canais publicitários de toda a gama. Mas, tal como os homens, também essas, as magnas assembleias, não se medem a metro de repórter ou a peso de som. Outras há, modestas de figurino, mas plenas e brilhantes de intimidade, de história, de lealdade e fraternidade. Foi assim, neste fim de semana,  o encontro de amigos de há mais de quatro décadas, E em local adequado, AS terras de Viriato, distrito de Viseu. Os outrora jovens combatentes de Cabo Delgado, Moçambique, hoje septuagenários, voltaram ao seu convívio anual. Só que a Companhia crescera: são pais, avós, filhos e netos, com as respectivas famílias reunidas em amistosa confraternização.
Recordou-se o guião dessa malfadada mobilização; as emboscadas, as minas e armadilhas, as vítimas, os que lá ficaram e os que regressaram, marcados pela deficiência e muitos pela depressão. À distância, vemos mais nítida a injustiça daquela guerra criminosa: pegar em jovens da província, sem culpa alguma, metê-los no porão do velho “Niassa” e depois jogá-los para o meio da mata como carne para canhão! Lágrimas vi-as eu correr do rosto enrugado daqueles homens, hoje de cabelos brancos, enquanto se evocavam, na hora da eucaristia e depois à mesa do almoço, os cenários da guerra colonial, sobretudo os mortos em combate. Um combate injusto, inútil, contraproducente! De consequências fatais para todos, colonizadores e colonizados!
Algo ficou, porém, intacto e puro: a camaradagem, a entre-ajuda e os valores solidários que fazem parte indissociável das Companhias operacionais,  porque viveram em comum as angústias e os perigos. Como a flor virgem,  silvestre, que emerge por entre as pedras do chão árido, assim também floresce, cada ano mais viçosa, a amizade fraterna que nos faz juntar de norte a sul de Portugal e das Ilhas, todos aqueles que há mais de quarenta anos conhecemos o medo e a saudade em terras africanas.
Uma saudação especial ao ex-Capitão Miliciano Alexandre Aveiro, amigo e conterrâneo, pela pedagogia humanista e profundamente solidária com que soube comandar e promover os seus homens.
Um abraço a todas as famílias presentes e um, de novo, até  ao ano de 2019. Este é o nosso congresso: belo, sincero, positivamente reprodutivo!
“Estamos Juntos”!

03.Jun.18
Martins Júnior